Várias delegacias do Paraná funcionaram em sistema de plantão ontem. O atendimento restrito a flagrantes e emergências faz parte do ato de desagravo da Associação dos Delegados de Polícia do estado (Adepol) e do Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol) contra a prisão do delegado Rubens Recalcatti e de sete investigadores. Eles foram presos na semana passada, suspeitos de envolvimento em um homicídio em Rio Branco do Sul.
A 54ª Delegacia Regional de Polícia de Ivaiporã, por exemplo, permaneceu ontem com as portas fechadas. Conforme nota da Adepol e Sidepol, afixada na porta da delegacia, os delegados consideram arbitrária as prisões. “Os promotores do Gaeco elegem os alvos de forma sensacionalista, precipitam-se nas conclusões, divulgam dados sigilosos e se posicionam como se fossem candidatos a um cargo de ator de um espetáculo televisivo”, diz a nota.
Os delegados alegam que não havia requisitos para a decretação das prisões temporárias dos servidores. Para eles, foram desrespeitados os direitos e garantias individuais abrangendo os temas de princípio da legalidade, presunção de inocência, devido processo legal e ampla defesa e contraditório. “Não é possível no Estado Democrático de Direito prender para depois investigar”, declaram os delegados. Recalcatti já foi liberado da prisão, mas os outros policiais continuam presos.
O movimento teve adesão também da 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana, delegacia de Faxinal, entre outras.