Vinte e três pessoas foram atropeladas no primeiro de semestre em Apucarana. O número representa uma queda de 20% em comparação ao mesmo período de 2015, quando ocorreram 29 situações. A redução é maior que média estadual de 17%, que foi divulgada nesta semana pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran). O desrespeito ao pedestre é comum e acontece principalmente em vias de grande fluxo de veículos. Em pouco minutos, a equipe da Tribuna flagrou várias situações de risco ao pedestre na esquina da Avenida Munhoz da Rocha e Renê Camargo de Azambuja.
O estudante Lucas Eduardo Soares de Oliveira, 16 anos, precisou aguardar alguns minutos para conseguir cruzar a via, que passou por recape nesta semana e a sinalização horizontal ainda não foi refeita. “Quando não tem sinal, é comum os motoristas não pararem”, diz. O adolescente, que caminha com frequência a pé pela área central da cidade, avalia que falta algo simples aos condutores: consciência. “Não adianta ter leis se as pessoas não respeitam, não colocam em prática”, acredita.
Assim como ele, a cozinheira Célia Fukunaga, 63 anos, também atravessa quase todos os dias a Avenida Munhoz da Rocha. “Eu sempre gosto de atravessar onde tem sinaleiro e depois que os veículos param, porque só assim tenho a certeza que vou conseguir atravessar tranquila”, diz. Quando não consegue, o jeito é aguardar, mas mesmo assim não é sinal de segurança: “Os motoristas estão sem paciência. Todo mundo está com pressa”, diz.
“Ignorar a faixa de pedestre dobra a chance de não ser visto por condutores e motociclistas. Além disso, outros maus comportamentos também ajudam na distração do pedestre ao atravessar uma via, como por exemplo, o uso de fones de ouvidos e o uso do celular”, sublinha diretor-geral do Detran, Marcos Traad.
O comandante do Corpo de Bombeiros, de Apucarana, major Hemerson Saqueta, observa que os atropelamentos acontecem principalmente em áreas densamente urbanizadas e com trânsito pesado principalmente nos horários de deslocamento ao trabalho, no horário de almoço e à tarde, durante o retorno para casa.
Saqueta analisa que, após um levantamento feito pelo Corpo de Bombeiros em 2015, verificou-se que nos grandes centros, os índices de atropelamentos vão gradualmente aumentando até chegar ao seu ápice no sábado. Já o dia que menos atropelamentos é o domingo.
Por outro lado, na região do 4º SGBI, de Apucarana, que atende quatorze municípios, que tem uma concentração menor de população, ocorre um índice muito maior de atropelamentos na segunda, quinta e sexta-feira. Nos fins de semana, o índice é praticamente zero. “Esta diferença entre a região de Apucarana e dos grandes centros, deve-se muito à rotina da população”, analisa.
Homens
são maioria
De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, de Apucarana, major Hemerson Saqueta, a faixa etária mais comum entre as vítimas, atendidas pela corporação, é de jovens entre 15 e 29 anos e idosos acima de 70 anos, que tem a mobilidade comprometida. “Os idosos são as pessoas com um alto índice de atropelamento, pois têm as limitações impostas pela idade avançada, com visão e audição, além da dificuldade de locomoção em vias não propícias”, diz.
Saqueta chama atenção para outro dado. “Quase dois terços dos atropelamentos acontecem com pessoas do sexo masculino, que estão em idade produtiva, estudando ou trabalhando”, pontua.
Já sobre as lesões, segundo ele, geralmente, são leves e graves, porém sem risco de morte. “Apesar de poucos óbitos constatados no local e das lesões não serem em sua maioria graves, com risco de morte, os atropelamentos afastam as vítimas de seu trabalho, estudo e do convívio familiar, além de superlotar os órgãos de saúde”, frisa.