O número de casos de estupro de vulnerável em Apucarana neste ano já superou a quantidade de crimes praticados contra crianças e adolescentes em todo 2018. Os divulgados pela Delegacia da Mulher revelam números preocupantes.
Segundo a delegada Sandra Nepomuceno, em todo ano passado aconteceram 31 estupros de vulnerável. Neste ano, até o momento, já são 30 casos.
“É uma demanda muito significativa. Os casos têm aumentado e isso é preocupante, pois são crimes que envolvem crianças e adolescentes. Crimes silenciosos onde os autores, na maioria das vezes, são da própria família, como padrastos e até pais”, detalha a delegada.
Para a delegada, a maior dificuldade ainda é que o crime seja identificado, pois são poucas as denúncias que chegam até a delegacia. “Essas situações são apresentadas na maioria das vezes por relatos nas escolas, através das professoras, que já acionam o Conselho Tutelar. Depois recebemos denúncias via hospital. São poucos os casos onde a família toma conhecimento primeiro e traz para delegacia. A maioria dos crimes acontece por longos anos até que sejam descobertos”, enfatiza Sandra.
Recentemente, dois casos chegaram até a polícia após as vítimas participarem de palestras promovidas pelo Proerd.
Quando a Polícia Civil recebe uma denúncia de estupro e começa a investigar o caso, de imediato é pedido um laudo junto ao Instituto Médico Legal (IML). Depois são tomados os depoimentos e as vítimas são encaminhadas para receber ajuda psicológica para relatar os fatos.
A delegada destaca que a fala da criança e adolescente precisa ser mais valorizada dentro do ambiente familiar. “É preciso que as famílias realmente não achem algo natural, isso não é natural. Nós temos relatos de mães que ficam na dúvida. Se existe a narrativa de um crime tão grave por parte de uma criança, é preciso acreditar e denunciar. A parte vulnerável é a criança e a adolescente, que precisa ser ouvida e atendida” destaca a delegada.
Atendimento psicológico para as vítimas
As crianças e adolescentes vítimas de violência sexual recebem acompanhamento psicológico para amenizar os danos causados pela violência sexual. Atualmente em Apucarana, 37 vítimas recebem atendimento especializado ofertado pela Assistência Social do Município.
De acordo com a secretária municipal de Assistência Social Ana Paula Nazarko, desde 2013 a Secretaria Municipal de Assistência Social presta o serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi), que é voltado para famílias e pessoas que estão em situação de risco social ou tiveram seus direitos violados.
Para a Ana Paula, os casos de abuso sexual vêm aumentando também por reflexo das campanhas de prevenção que incentivam e conscientizam a sociedade a efetuar a denúncia.
“Tudo isso, traz um avanço na defesa da criança e adolescente, uma vez que que quanto mais cedo iniciado o atendimento a esta vítima, mais rápido a vítima e a família podem superar esta situação de violência. Vale ressaltar que a vítima de abuso muitas vezes é alvo também de violência física, psicológica ou negligência que estão atreladas a esta circunstância de abuso sexual”, afirma.