Apesar da obrigatoriedade passar a valer apenas para julho, o simulador de direção já está sendo utilizado nas autoescolas de Arapongas. Por conta do alto custo, as empresas uniram-se para adquirir juntas os equipamentos e fornecer as aulas em apenas um local. Apucarana deve seguir a mesma tendência. A reportagem visitou o local das aulas e testou o aparelho, que se mostrou bem mais difícil do que aparenta.
As autoescolas de Arapongas têm um histórico de união. Há cerca de 12 anos, as instituições realizam as aulas teóricas de direção em um mesmo local. Esse panorama facilitou a adesão do mesmo sistema para os simuladores, como explica a proprietária de um Centro de Formação de Condutores (CFC), Edilene Aparecida Capelassi.
“O simulador gera um custo muito alto. Além do próprio aparelho, tem a conexão constante com a internet e uma sala exclusiva, propriamente ambientada e com projeto aprovado pelo Detran. Boa parte das autoescolas não conseguiriam dispor de uma estrutura dessas, além de não ter um fluxo de alunos tão alto. Os equipamentos ficariam ociosos. Por isso, a união entre as autoescolas é a alternativa mais viável”, explica ela.
São dois simuladores instalados em uma sala própria, toda fechada e escura. Cada equipamento custa a partir de R$ 35 mil. As aulas são de uma hora e sempre acompanhadas por um instrutor. Cada aula possui um grau de dificuldade diferente, desde um simples passeio, onde você precisa seguir as orientações na tela, até a famigerada baliza. Mesmo sendo obrigatórias apenas a partir de 1º de julho, os CFCs de Arapongas já oferecem as aulas no aparelho.
Pedro Henrique Pires é um dos alunos que já está tendo aulas no simulador. O estudante conta que o sistema é bem realista e exigente. “Para quem não sabe dirigir, é muito bom. A pessoa tem o primeiro contato com o carro no simulador, um local seguro, sem riscos, que ajuda a pegar confiança. É um sistema difícil, que exige bastante atenção aos detalhes”, diz.
A aposentada Sônia Fanelli marcou o início das aulas para a próxima semana e se mostra animada. “Acho o simulador importante para pegar intimidade com o carro. Assim, não vou tão ‘verde’ para pegar o carro na rua”, diz.
Essa é a grande vantagem do simulador, explica o instrutor Elias Rocha. “É um primeiro contato importante com os equipamentos que compõem um carro, como volante. câmbio e pedais. Aos poucos, outras características vão sendo adquiridas, como noção de profundidade, espaço, que são fundamentais para dirigir. As pessoas, quando vão dirigir de verdade, já vão com alguma noção, facilitando o aprendizado”.
APUCARANA
Em Apucarana, as autoescolas devem seguir o mesmo caminho e comprar os equipamentos em conjunto, como explica o presidente da Associação das Autoescolas de Apucarana, Rildo Galeriani.
“Estamos com conversas avançadas. É uma alternativa viável, porque fica muito caro cada empresa comprar o seu equipamento. Ainda não foi definido o local de instalação mas, até o dia 1º de julho, acredito que tudo já estará pronto”, ressalta ele.
Aparelho exige atenção redobrada do motorista
Olhando de fora, o simulador parece fácil para quem já dirige. A reportagem da Tribuna resolveu então testar o equipamento e viu que não é bem assim. Logo ao sentar no banco do aparelho, a sensação é de estar testando um carro novo: todas as funcionalidades de um veículo normal estão lá, como cinto de segurança, pisca-alerta e botão para ligar os faróis, mas há um certo estranhamento.
Todos os sons do veículo e até mesmo o trepidar do volante ao passar em um terreno mais acidentado foram implantados no simulador. Em 10 minutos, a realidade virtual do aparelho apresenta situações que exigem atenção máxima de quem está no volante.
Ciclistas, tráfego intenso, placas de sinalização, caminhão dos bombeiros pedindo passagem e até um rebanho de ovelhas aparecem. Alguns ‘vícios’ adquiridos em 10 anos como motorista acabam sendo evidenciados: ultrapassar um ciclista sem respeitar a distância mínima e não respeitar o limite de 40 km/h foram algumas delas. Ao final do teste, algumas infrações virtuais cometidas e a impressão de que, com o nível de exigência apresentado, os novos condutores têm tudo para tornar o trânsito mais seguro.