No supermercado, o consumidor percebe que há pelo menos seis meses o preço do leite está estável nas gôndolas. Mas, no campo, os produtores reclamam do alto custo de produção e do baixo valor pago pelo litro de leite. Atualmente, na região, o produtor recebe entre R$ 0,81 e R$ 1,00. No mesmo período do ano passado, esse o preço variava de R$ 1,20 a R$ 1,40. A queda de 28% desmotiva a produção.
Segundo o engenheiro agrônomo, Sergio Carlos Empinotti, do Departamento de Economia Rural (Deral), a queda iniciou em junho e o preço só não caiu mais porque o atual patamar é considerado bastante baixo pelo setor, o que tem levado muitos produtores a deixar de investir ou até mesmo a continuar na atividade. “Com as margens da atividade se estreitando, muitos produtores já falam em deixar de produzir. Outros não farão investimentos importantes em seus sistemas produtivos, o que pode reduzir a oferta de leite em 2018”, alerta Empinotti.
O agrônomo lembra que o Brasil é o quarto maior produtor de leite do mundo. No ano passado, a produção ultrapassou os 37 bilhões de litros, porém, as importações cresceram no setor. “Produzimos muito, mas também importamos muito de outros países. Por isso, o trabalho do produtor acaba desvalorizado” enfatiza Empinotti, que diz ainda que seria necessário estabelecer cotas de importação para regularizar o mercado.
Em 2016, as importações de lácteos foram 78,8% maiores que no ano anterior, com um total de 245,3 milhões de toneladas. Comparando os primeiros cinco meses de 2017 com igual período de 2016, foi importado 2,7% a mais, de um total de 82,8 milhões de toneladas. As compras de leite UHT cresceram em 44%; de iogurte, em 483%.
Por outro lado, as exportações em 2016 somaram US$ 167,9 milhões, com 55,0 mil toneladas de lácteos vendidas. Esse volume representou redução de 28% em relação a 2015.
PREOCUPAÇÃO
Longe do mercado internacional, o produtor anda preocupado. O produtor ivaiporãense Felipe Bovo Bonfim que, no mês de novembro, recebeu R$ 0,86 por litro do leite entregue está na esperança de que os preços melhorem nos próximos meses.
“O leite vendido a R$ 0,86 é um prejuízo muito grande. No ano passado, nessa época, recebíamos R$ 1,15 o litro. Só não saímos da atividade porque temos outras e a gente vai levando na esperança que o mercado do leite melhore”, comenta Bofim.
Marcos Alberto Anselmo, que produz leite na localidade de Palmeirinha, também em Ivaiporã, está insatisfeito com o valor estabelecido pelo litro de leite. “Temos recebido em média R$ 1,00, isso porque nos temos uma associação e entregamos diariamente 1,5 mil litros. O preço varia conforme a quantidade comercializada. Se fosse entregar individualmente teria uma redução de cerca de R$ 0,15”, relata Anselmo.