Em processos de reabilitação ou até mesmo devido a problemas de saúde crônicos, as pessoas precisam muitas vezes usar de cadeira de rodas, muletas ou outros equipamentos hospitalares por determinados períodos. Fornecer gratuitamente esse serviço para quem precisa é foco de uma entidade de Arapongas.
Após fraturar o tornozelo em uma queda em dezembro do ano passado, a educadora Irene Chiapin Basso, 63 anos, de Arapongas, necessitou de uma cadeira de rodas e outra de banho. “Meu marido descobriu o banco de cadeiras de rodas do grupo “Amigos do Bem” e foi até lá. Sabia que seria algo provisório e achei melhor não comprar”, explica.
Além de economizar, a educadora diz que os integrantes foram atenciosos e após utilizar por três meses os objetos, ficou muito encantada com o trabalho feito pelos voluntários. “É um gesto de carinho ao próximo”, elogia. O grupo “Amigos do bem” disponibiliza mais de 200 itens para a comunidade.
Alberto de Oliveira Júnior, 45 anos, um dos integrantes do grupo, diz que a ideia surgiu há três com a ajuda do comerciante apucaranense Vlamir Stábile, 52, que já desenvolve esse trabalho desde 1998. Júnior comentou com Vlamir que tinha o sonho de montar um banco de cadeiras de rodas e outros equipamentos. “O Vlamir doou uma cama de hospital, uma cadeira de rodas, uma cadeira de banho e um par de muletas. Ele foi essencial para o começo do grupo”, recorda.
O araponguense diz que a iniciativa visa ceder provisoriamente cadeiras de rodas, cadeiras de banho, andadores e muletas para pessoas necessitadas. O grupo de amigos guarda a maior parte dos aparelhos nos fundos da loja do empresário. Apesar, que segundo Júnior, quase sempre não ficam muitos objetos parados. “Não há critério de tempo máximo para o empréstimo, a pessoas usam o quanto tempo precisar”, explica.
O “Amigos do Bem” é composto por 12 integrantes e a cada três meses realiza promoções para ajudar na compra de mais aparelhos. Além disso, Júnior diz que muitas pessoas doam equipamentos que não usam mais para a entidade. “Em alguns casos, como amputação e derrames, sabemos que será uma doação. No entanto, sabemos que é para isso que nos dedicamos cada dia mais para ajudar ao próximo”, explica.
Vlamir, o incentivador do grupo, hoje trabalha sozinho, mas diz que tudo começou quando ainda participava de clubes de serviços. “Gostei muito desse trabalho e não quis mais parar”, sublinha. Em seu barracão, local onde também trabalha com aviamentos, o comerciante guarda o que não estão emprestados dos mais de 500 itens. “Como muita gente conhece minha causa, recebo muitas doações da comunidade”, explica.
Além disso, Stábile diz que junta lacres de refrigerante e troca por cadeiras de rodas. No ano passado, ele conseguiu 6 itens juntando os materiais recicláveis. “Em troca, só peço para as pessoas que rezem muito por mim”, brinca. O comerciante diz que se as pessoas quiserem ajudar levando lacres é só ir até a firma dele que fica na Rua Antônio José Oliveira, 300, no Bairro Barra Funda. “O Rotary Club e o Lions Club, de Apucarana, também disponibilizam equipamentos. Às vezes, eles me ligam e eu ligo também quando faltam aparelhos”, conta.