Ir até uma agência bancária ou um caixa eletrônico sacar dinheiro virou sinônimo de transtorno para muitos moradores do Vale do Ivaí. Após constantes ataques de quadrilhas especializadas, os bancos estão limitaram o atendimento de caixas eletrônicos e postos avançados mantendo apenas opções para transferências e pagamentos. Sem o serviço essencial de conta corrente, clientes são obrigados a se deslocarem até outros municípios para ter acesso ao dinheiro. A Tribuna apurou a situação nos municípios de Bom Sucesso, Cruzmaltina, Godoy Moreira, Marumbi e Novo Itacolomi.
Em Godoy Moreira o problema se estende há mais de 1 ano, desde o último ataque de uma quadrilha que arrombou o cofre do Banco do Brasil, em julho do ano passado. A agência já havia sido alvo da quadrilha do maçarico em janeiro do mesmo ano. Na época a agência acabara de ser reativada após longo período de reforma por conta de uma explosão em 2013.
O prefeito, Primis de Oliveira, tentou solucionar o problema e procurou a superintendência do BB em Curitiba e em Brasília, no entanto, a agência continua fechada. Enquanto isso, alguns serviços básicos são prestados em uma lotérica da cidade credenciada pela Caixa Econômica Federal (CEF) e em um posto de atendimento do Bradesco. Contudo, segundo o prefeito, os servidores tem conta salário no Banco do Brasil e têm de se deslocar até o município de São João do Ivaí, a 34 quilômetros. " Isso causa perda de tempo e dinheiro, sem contar que o comércio local também leva um grande prejuízo porque as pessoas acabam gastando no outro município", analisa.
O mesmo problema ocorre em Marumbi, afirma o secretário da Indústria e Comércio, Antônio Carlos Mangolin. Depois da explosão de caixas eletrônicos do Bradesco, a população conta apenas com uma unidade da Cooperativa Sicredi, e com estabelecimentos credenciados.
"Clientes do Banco do Brasil são atendidos na agência dos Correios, somente para transferências e pagamentos, a lotérica atende clientes da Caixa Econômica Federal e um mercado é autorizado a receber pagamentos do Bradesco", relata. De acordo com ele, uma agência manteve o posto avançado, mas também limitou os serviços. "O atendimento é muito limitado. Eu mesmo sou correntista do Bradesco e só consigo visualizar o saldo e tirar extrato no posto de atendimento que ainda funciona. Para sacar dinheiro tenho que ir até Jandaia do Sul", relata.
Em Novo Itacolomi, um caixa eletrônico do Bradesco foi desativado após ataque da quadrilha dinamite em maio do ano passado, conta o prefeito, Roberto Munhoz, o Polaco da Pá. “Não tenho informações se vão reativar e não sei qual a expectativa do banco. Mas, acredito que a população não está sendo prejudicada porque grande parte é cliente da Cooperativa Sicredi – que também foi alvo da quadrilha em maio deste ano - que continua no município”, analisa.
Em Novo Itacolomi, o proprietário do estabelecimento credenciado pelo Bradesco, que pediu para não ser identificado, diz que sua empresa é autorizada a realizar praticamente todos os serviços essenciais de conta corrente como saques, depósitos, pagamentos, transferências, dentre outros. "No horário de funcionamento de banco vários serviços estão disponíveis". Contudo, ele ressalta que a vantagem do dos caixas eletrônicos é o atendimento após o expediente bancário.
Desde janeiro, pelo menos 18 ataques de quadrilhas a bancos, cooperativas e agências dos Correios foram registrados na região. Destes, 16 somente em municípios do Vale do Ivaí.
Comerciantes reclamam
A comerciante Soraia Cristina Pimentel Raniero, de Bom Sucesso, disse que a restrição de serviços bancários na cidade está prejudicando os negócios. Ela conta que o Bradesco fechou a agência e hoje parte dos serviços são prestados por uma casa de produtos agrícolas. O Banco do Brasil ainda atua na cidade, mas segundo a comerciante, o comentário na cidade é que a agência vai fechar.
“Os comerciantes já estão sendo muito prejudicados porque os moradores não têm onde receber salário e acabam indo para outra cidade. E o comércio sai perdendo porque o consumidor aproveita e faz compras nas lojas em mercados da outra cidade”, analisa.
Em abril, bandidos explodiram um caixa eletrônico do posto avançado do Bradesco, de Cruzmaltina. O terminal foi retirado, segundo uma moradora que não quis se identificar e a informação é que outro equipamento de autoatendimento será instalado, mas sem a opção de saque. “Tem uma loja de roupas e uma casa de produtos agropecuários que estão prestando atendimento, mas saque somente em Faxinal”, afirma.
Em nota o banco Bradesco informou que "a rede da externa de autoatendimento do banco será preferencialmente atendido pela Rede 24 Horas, conforme acordo feito entre os bancos em 2014".
O Banco do Brasil também se posicionou e negou a possibilidade de fechamento de agências. "O Banco do Brasil gerencia os horários de funcionamento e valores disponíveis em suas agências e terminais de autoatendimento de acordo com a realidade de cada praça em que atua e não há previsão de retiradas de caixas eletrônicos”.