O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada. De acordo com o comunicado publicado após o fim da reunião, o BC (Banco Central) indica que a Selic permanecerá no patamar de 14,25% nas próximas reuniões.
"Tomados em conjunto, o cenário básico e o atual balanço de riscos indicam não haver espaço para flexibilização da política monetária." A decisão foi unânime.
Essa foi a primeira reunião sob o comando de Ilan Golfajn e da nova diretoria do Banco Central. A decisão anunciada já era esperada pela maior parte do mercado financeiro, mas pressões do lado político contribuíram para que alguns analistas avaliassem a possibilidade de um corte. A expectativa maior era pelo comunicado da decisão.
Os juros estão em 14,25% ao ano desde julho do ano passado. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 30 e 31 de agosto, mas a previsão do mercado é de um corte de juros apenas na reunião de 18 e 19 de outubro.
O BC indicou uma série de riscos econômicos para justificar a manutenção da taxa básica de juros em 14,25%.
A inflação acima do esperado no curto prazo, decorrente, principalmente, de preços de alimentos, pode se mostrar persistente; as incertezas quanto à aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia permanecem; e um período prolongado com inflação alta e com expectativas acima da meta pode reforçar mecanismos inerciais e retardar o processo de queda da inflação.
Pouco antes do início da reunião desta quarta (20), preocupado em afastar a imagem de que seu governo estaria pressionando por uma queda dos juros, o presidente interino, Michel Temer (PMDB-SP), disse que o "Banco Central tem plena autonomia para definir a taxa de juros".
Por meio de assessores, Temer afirmou ainda que "a política monetária tem como prioridade o combate a inflação e este é o objetivo central do meu governo".