A “Operação Big Fish”, que resultou na prisão de 63 pessoas e no bloqueio de R$ 1,5 bilhão de um grupo criminoso de atuação nacional especializado em jogos de azar, teve início após um contraventor de Cianorte, no Noroeste do Paraná, tentar coagir o então delegado titular da Polícia Civil (PC-PR) em Grandes Rios, no Vale do Ivaí. A partir dessa postura do suspeito, a PC-PR começou a investigação que ganhou alcance estadual. Os detalhes da operação, realizada na semana passada, foram repassados ontem durante entrevista coletiva dos delegados Ricardo Monteiro de Toledo, Victor Hugo Torres Bento e André Garcia, da 17ª Subdivisão Policial (SDP), de Apucarana.
O estopim ocorreu quando líderes da contravenção tentaram coagir a própria polícia. O delegado André Garcia explica que o caso começou a ser apurado após o delegado Ricardo Monteiro de Toledo, então titular de Grandes Rios, ser procurado por um contraventor que fazia a exploração do jogo de bicho em várias regiões do Paraná. “Naquela oportunidade, ele (contraventor), de certa forma, constrangeu o delegado de polícia no sentido de, de uma forma muito sutil, ameaçá-lo ou propor algum tipo de acordo escuso para que o jogo do bicho fosse explorado naquela região. Evidentemente o delegado não aceitou e deu início ali às investigações”, assinalou André Garcia, destacando o papel fundamental do Ministério Público (MP) e do Judiciário de Cianorte para o resultado final da operação.
Uma força-tarefa acabou sendo formada e mapeou uma rede criminosa complexa. Além dos mandados de prisão, foram cumpridas 184 ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias, visando ao sequestro de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Também foi determinado o sequestro de 132 veículos (avaliados em mais de R$ 11 milhões), 111 imóveis (avaliados em mais de R$ 32,9 milhões).
Segundo o delegado Victor Hugo Torres Bento para ocultar os lucros, a quadrilha desenvolveu uma “engenharia muito sofisticada de lavagem de dinheiro, uma miríade de empresas, movimentações por meio de fintechs”. A operação ocorreu em 27 cidades, incluindo Apucarana, onde um suspeito foi preso.
A operação ocorreu de forma conjunta com o Ministério Público e continua em andamento para capturar 22 suspeitos que seguem foragidos.