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Bebidas impulsionam alta de preços da ceia de Natal na região

Renan Vallim e Ivan Maldonado

| Edição de 07 de dezembro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Está mais caro seguir a tradição e reunir a família ao redor de uma mesa farta neste Natal. Os itens comprados para as festas estão em média 8,83% mais caro, de acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O setor de bebidas lidera a alta. Na região, os consumidores afirmam buscar alternativas para a ceia natalina, enquanto mercados divergem em relação à expectativa de vendas.

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De acordo com a pesquisa da Abras, os vinhos nacionais estão em primeiro lugar do ranking, registrando alta de 11,17%, seguidos do refrigerante (10,53%), da cerveja (10,41%) e do espumante/frisante (10,23%). A inflação acumulada dos últimos 12 meses é de 6,38%.
“O aumento dos impostos sobre bebidas alcoólicas neste ano elevou bastante os preços, o que impacta negativamente nas vendas”, afirma Gustavo Coutinho, proprietário de um supermercado em Apucarana. “As vendas de produtos sazonais vem caindo a cada ano. As pessoas estão substituindo por opções mais em conta. O chester e o peru, por exemplo, estão sendo substituídos por cortes mais nobres de porco, como o pernil”.
Comprador de uma rede de mercados em Arapongas e Apucarana, Adriano Molinari diz que praticamente todos os produtos natalinos subiram de preço. “Esse ano, acredito que as pessoas vão segurar o consumo. Por enquanto, o movimento está devagar, esperamos que melhore nos próximos dias”.
O representante comercial de frios e embutidos, José Luiz Ribeiro da Silva, que atende todo o Vale do Ivaí, diz que as aves tradicionais dessa época do ano tiveram retração nas vendas em torno de 20%. “A crise afetou diretamente os consumidores. Por isso, os supermercados restringiram as compras de produtos mais básicos”, completa.
Já o gerente de um supermercado em Ivaiporã, Gustavo Xavier, espera que as vendas aumentem em 10%. “Já percebemos um aumento nas vendas nesse início de mês. Durante o ano todo o pessoal só ouviu falar de crise e foi se segurando, economizando. Agora não vão deixar de fazer uma boa festa com a família”. Ele aposta que a queda de alguns produtos será compensada pela alta de outros, como carne bovina e suína, que devem aumentar as vendas em pelo menos 20%.
ADAPTAÇÃO
A dona de casa Maria de Lourdes Rezende Soares diz que se for fazer uma ceia de Natal pomposa, os preços ficam realmente mais caros, mas é possível conseguir redução dos custos com produtos menos conhecidos e qualidade semelhante. “Lá em casa mesmo, faz muito tempo que substituímos o peru pelo frango. Além do preço ser mais caro havia muito desperdício, já que muitas pessoas sequer comiam peru e sempre sobrava”, relata Maria de Lourdes.
O caminhoneiro Nirley de Freitas diz na casa dele a tradição é mantida. “A gente passa o ano todo trabalhando pensando neste momento de confraternização. Com certeza foi um ano difícil para todo mundo, mas um leva a cerveja, outro leva a carne, um pouquinho de cada um e conseguimos fazer uma ceia muito legal. O que não pode acontecer é deixar essa tradição de lado”, comenta Freitas.