A tragédia na Grenfell Tower, em Londres, na última semana, que vitimou 79 pessoas, alerta para os riscos causados por falhas no sistema de prevenção de incêndio e pânico nos edifícios, não só londrinos. Em Apucarana, as falhas também são comuns e vão desde a falta de “portas corta-fogo” à sinalização de emergência ou extintores. Um levantamento do Corpo de Bombeiros, de Apucarana, aponta que mais 70% dos prédios da cidade apresentam alguma irregularidade.
De acordo com o tenente Fabiano de Paula, do setor de Prevenção, dos 63 prédios altos - quatro andares ou mais - em Apucarana, apenas 18 estão certificados em conformidade com as normas de segurança, o que representa 28%. Deste montante, 12 constam como reprovados e 33 apresentam pendências a serem regularizadas, ou seja, 52% dos edifícios apucaranenses precisam fazer adaptações.
Por outro lado, o vistoriador e soldado, Ruan Fernando da Silva, também do setor de Prevenção, avalia que houve uma evolução significativa de edificações que estão se adequando às normas de prevenção, chegando a um percentual de 60% de empresas certificadas que atendem às normas de segurança contra incêndio e pânico, o que em anos anteriores não chegava a 30%.
O major Hemerson Saqueta, comandante dos Bombeiros, de Apucarana, observa que o respeito à legislação por si só não impede que haja incêndios, mas minimiza seus efeitos. “Um exemplo é o incêndio no Edifício Joelma, que após 15 minutos do início do fogo em um aparelho de ar condicionado, o prédio estava tomado pelas chamas, devido ao piso acarpetado, às cortinas de tecido e ao revestimento das paredes serem de material combustível, o que hoje não é permitido ”, cita. O incêndio do Joelma, em 1974 em São Paulo, foi um marco na confecção de normas contra incêndios.
Na avaliação do comandante, houve uma sensível melhora na segurança no Vale do Ivaí, resultado do empenho de gestores municipais e dos órgãos de fiscalização municipais, além da atuação do Ministério Público.
No ano passado, o Corpo de Bombeiros, de Apucarana, que atende 14 municípios, fez um mutirão, realizando 5.330 vistorias. Neste ano, até o mês de maio, já foram executadas 3.713 vistorias, além de terem sido analisados 570 projetos de prevenção contra incêndio e pânico.
FALHAS
As pendências mais comuns encontradas pelos vistoriadores nos edifícios, segundo Saqueta, principalmente nos prédios mais antigos são a falta de projetos, de sinalização de emergência e iluminação de emergência insuficientes, ausência de corrimão contínuo e a falta manutenção rotineira dos equipamentos de segurança e, em casos mais sérios, prédios que não possuem a central de gás, de modo que os moradores têm um botijão dentro do apartamento.
Ainda de acordo com Saqueta, no caso de necessidade de evacuação rápida dos moradores, as escadas de emergência e saídas de emergência são essenciais, por isso, é importante o piso antiderrapante, a largura da escada com dimensionamento correto para a quantidade de população do prédio, manutenção das portas corta-fogo, dentre outros.
Síndicos fazem adaptações
Para ficar em dia com a fiscalização é comum os condomínios investirem em adequações, uma vez que a legislação está em constante mudança. Segundo o comandante dos Bombeiros, de Apucarana, Hemerson Saqueta, houve mudanças em 2001, 2012 e 2015 implantadas novas normas de procedimentos técnicos.
A síndica do Edifício Belle Ville, de Apucarana, Bruna Cintra Clemente, precisou fazer algumas adaptações. “Neste ano, nós fomos orientados a adaptar o corrimão e também trocar o vidro das janelas, que era comum, por aramado, que não estoura em casos de incêndio”, elenca.
Para ficar em dia com os Bombeiros, a síndica revela que gastou cerca de R$ 4 mil. “Eu entendo que são alterações necessárias e me sinto mais segura, assim como os outros moradores”, diz. Em 2015, todos os funcionários do prédio precisaram passar por um treinamento, inclusive asíndica. Além disso, também precisaram adaptar os extintores.
O síndico Wilson Leal, do Edifício Gralha Azul, também precisou fazer adaptações. “Colocamos fita antiderrapante nas escadas e vamos precisar trocar o corrimão. Vamos gastar cerca de R$ 8 mil, mas é necessário”, avalia.