Há um mês, polvos feitos de linha de algodão, com tentáculos em espiral, repousam ao lado de bebês internados na UTI Neonatal do Instituto de Saúde Bom Jesus de Ivaiporã. A ideia que surgiu na Dinamarca em 2013 é muito mais que um brinquedo e se integra uma técnica que tem se mostrado bem sucedida para tentar acalmar bebês prematuros internados no hospital. A confecção do brinquedo tem ganhado a adesão de diversos voluntários e as linhas são doadas pelas mães.
A médica neonatologista Elza Yonekura diz que nesse primeiro mês de experiência já é possível perceber melhoras nos sinais vitais dos bebês. “Ele fica mais aconchegado, a gente sente que o bebezinho fica mais seguro. Nessa segurança, melhora tudo, no batimento cardíaco, na oxigenação, no ganho de peso, na recuperação mais rápida”, relata Elza.
Elza explica que como o bebê tem que ficar na incubadora sem quase nada, acaba se sentido desprotegido. Sem proteção nenhuma eles ficam irritados, com muitos movimentos involuntários. “Dentro do útero ele está aninhado, tem o cordão umbilical e outras coisas. O polvo faz com que ele se lembre desse estágio intrauterino, eles pegam os tentáculos, o abraçam e com isso se sentem seguros”, comenta Elza. Além disso, os bichinhos evitam que eles puxem a sonda e tubos instalados.
Jéssica Ghizoni, fisioterapeuta responsável pelo projeto que no Bom Jesus foi batizado “Nana na Neo”, explica que os bonecos são feitos em fios 100% algodão, com oito tentáculos de 22 centímetros de comprimento. “Para evitar qualquer problema de saúde aos bebês, os polvos são esterilizados a cada ciclo de 5 a 7 dias – ou antes, se houver necessidade”, explica Jéssica.
O Instituto Bom Jesus, tem capacidade para receber 15 bebês prematuros. Cada bebê tem mais de um polvo e quando vão para casa podem levar um brinquedo como lembrança. “Ter um bebê prematuro internado por dois às vezes quatro meses não é fácil e o brinquedinho será uma lembrança bem bacana para a família da primeira vitória da vida do bebê. Além disso, durante o tempo em que esteve aqui na UTI a incubadora se torna a casa dele. Levando o polvo, que ele já tem vínculo, ajuda a se familiarizar com a nova casa”, enfatiza Jéssica.
A fisioterapeuta lembra que os atendimentos na UTI neonatal são basicamente financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por isso, os polvos de crochês são confeccionados voluntariamente pela mãe de Jéssica e nos últimos dias ganhou a adesão de algumas funcionárias do hospital que também passaram a confeccionar também. “As mães doam as linhas e a confecção é feita voluntariamente”, completa Jéssica.