Três dias depois de oito presos fugirem por um túnel de 8 metros da cadeia de Ivaiporã, uma nova fuga foi registrada na madrugada de ontem. Segundo informações da 54ª Delegacia Regional de Ivaiporã, 12 detentos fugiram da unidade e foi recapturado pela PM, no final da tarde. Essa é a terceira fuga do ano da unidade.
Por falta de recursos, a Polícia Civil havia fechado emergencialmente o túnel da fuga anterior apenas nas entradas e saídas. No entanto, a parte central do túnel acabou sendo usada pelos fugitivos, que saíram por um buraco exatamente do lado do utilizado na fuga anterior.
Na tentativa de evitar novas fugas, a Prefeitura contratou com recursos próprios uma empresa para a concretagem de toda passagem. Doze agentes da Seção de Operações Especiais (SOE), do Departamento de Execução Penal (Depen) de Londrina foram encaminhados ontem para Ivaiporã para contenção dos internos no solário, enquanto era feita a recontagem e o túnel obstruído. Foram utilizados mais de 8 metros de concreto usinado.
O ajudante geral da empresa de concreto, Edison Costa dos Santos, percorreu a escavação antes da concretagem. Segundo ele, o túnel tem aproximadamente 8 metros, com aproximadamente um metro e meio de largura. “É um buraco bastante largo, o serviço que foi feito é coisa de profissional. É trabalho de diversos dias”, relata Santos.
A cadeia, que tem capacidade para 32 internos, antes da fuga tinha aproximadamente 140, destes 65 são presos condenados. A preocupação do delegado Gustavo Dante é que além desse túnel há outros, de fugas anteriores.
“A cadeia é antiga com mais de 30 anos de uso e já houve várias fugas, mas os buracos permanecem embaixo da carceragem. A única solução que vislumbramos é transferir todos presos condenados de imediato, deixar com um número menor para que seja possível trabalharmos ”, explica Dante. A ideia do delegado é concretar todos os buracos existentes, o piso interno da carceragem e construir barreiras de concreto do lado de fora cadeia.
Segundo o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), Jair Antônio Burato, o conselho se compromete a realizar uma mobilização junto à sociedade para conseguir os recursos financeiros. “Porque se esperar pela Secretaria Segurança não vem. Hoje, por exemplo, a Prefeitura teve que ceder o concreto já que a delegacia não tem recursos para isso. Agora esperamos que o Estado faça a parte dele transferindo os presos condenados”, destaca Burato.