A colheita dos grãos de café em Apucarana começou ontem de uma forma diferente: o trabalho manual, agora dá lugar à modernidade da automação. Pequenos produtores de Apucarana que fazem parte da Cooperativa dos Cafeicultores do Pirapó (Coocapi), estão utilizando maquinários adquiridos pelo programa Pró Rural do Governo do Estado para otimizar a produção local e aumentar a competitividade do produto no mercado.
Com investimentos de R$ 420 mil, foram adquiridos um trator cafeeiro, uma colheitadeira e um esparramador de adubo e calcário. Os equipamentos foram entregues no final do ano passado, e estão sendo utilizados agora, pela primeira vez.
De acordo com Paulo Franzini, economista do Departamento de Economia Rural (Deral) de Apucarana, a mecanização dos produtores de Apucarana representa a sobrevivência no cenário atual da cultura. “Os custos de produção estão muito mais altos em relação aos preços de venda. Muitos produtores acabam pagando para trabalhar. Do ano passado para cá, temos uma crise de renda do café, e isso é mundial. A mecanização do produtor hoje é necessidade, é preciso mecanizar para sobreviver”, afirma o economista.
Marco Antônio Casini Sanchez, coordenador do setor cafeeiro da Emater Apucarana, afirma que a mecanização reduz de custos e diminui o período da colheita. “A máquina colhe 600 sacas por dia. Antes do equipamento eram necessárias de 80 a 100 pessoas para fazer o trabalho em um dia, a um custo de R$ 720 aproximadamente. Com o equipamento, o custo cai para cerca de R$ 200”, explica.
Sanchez revela ainda que a mecanização também melhora a qualidade do café colhido. De forma manual, a colheita demorava cerca de 3 meses de trabalho para ser concluída. Agora, de 3 a 4 dias o trabalho está concluído. “O tempo, a umidade, vão fazendo o grão perder a qualidade. Com a mecanização da colheita o desperdício é mínimo”, afirma.
Produtor desde a década de 60, Silvino Alves de Souza revela que hoje não tem lucros com a venda do café e que o maquinário vem para mudar todo o processo da produção. “Vamos ter muita economia de custo, e, principalmente, vamos poder ter mais qualidade no produto que é o que o mercado mais exige”, disse.
Mauro Kimiti Sato é engenheiro agrônomo e cresceu em meio as plantações de café. Ele é filho e neto de cafeicultores, e há 9 anos assumiu os negócios da família. Para ele, o maquinário representa mais rentabilidade. “Vamos colher muito mais rápido e com a qualidade necessária para competir no mercado”, observou.
Clima prejudicou cultura
A expectativa de produção para o município este ano não deve ser muito maior que a do ano passado, segundo estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral).
Em 2018, a produtividade média na em Apucarana foi de 2.640 toneladas de grãos. “Nossa expectativa de produção para este ano era pelo menos 20% maior, mas não devemos alcançar essa estimativa por causa das condições climáticas do ano passado, as altas temperaturas e as floradas irregulares”, comenta o economista Paulo Franzini.
Dessa forma, as estimativas esta colheita, não devem passar de 2.800 toneladas do grão em em Apucarana.