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Cafés especiais dão visibilidade para mulheres produtoras no Vale do Ivaí

DA REDAÇÃO

| Edição de 05 de fevereiro de 2022 | Atualizado em 17 de fevereiro de 2022

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Elizabethe, Maria, Lourdes, Adriana, Marli, Janaína e Lisiane. Moradoras de diferentes municípios da região, elas contam a história das Mulheres do Café do Vale do Ivaí. O nome vem do projeto iniciado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater (IDR-Paraná) e que está completando seu primeiro ano de capacitação de mulheres que atuam diretamente na cultura cafeeira de Grandes Rios, Lidianópolis, Jardim Alegre e Ivaiporã. Elas estão produzindo cafés especiais, com assistência técnica desde o manejo na lavoura até a outra ponta da cadeia, a comercialização.

Janaína lembra que tudo começou em fevereiro de 2021, quando a assistente social do IDR-Paraná, Natália Duarte Vettor, fez um convite para uma reunião. Cansadas por tantas perdas na produção e com o baixo preço do café, elas já sentenciavam como a própria Janaína: “Isso aí não vai dar em nada”. Ou se perguntavam como a Bruna: “Será que vai trazer algum resultado?”.
“Mas elas aceitaram com vergonha de falar não pra minha insistência”, revela Natália. “Quando entenderam que não adiantava lutar pelo preço se não tiver qualidade, começaram a acreditar”. 
O objetivo inicial já foi alcançado, que é dar visibilidade às produtoras. Os alvos a médio e longo prazo incluem criar uma associação para que façam compras coletivas, baixando o custo da produção. 
Desde a infância, o café rodeou a vida de Janaina Assad da Rocha, casada e mãe de um menino de 13 anos e uma menina de 9. “Já tinha ouvido falar do café especial quando meu marido ia nas reuniões. Eu fazia parte do processo todo, do trabalho na lavoura, mas sem o interesse de aprender uma coisa nova”, diz.
Uma das coisas “novas” que aprendeu foi como extrair um café especial dos mesmos 7 mil pés em produção em Grandes Rios, de onde a família tirava apenas o café tratado como commodity, uma mercadoria em que o preço não varia conforme a qualidade. O mesmo pé que produz o café tradicional pode produzir o café especial desde que todas as etapas sejam realizadas conforme recomendação técnica, o que vai exigir muito mais trabalho e tempo, mas com lucro atraente.
“Temos uma latitude que é propícia. Mas é um trabalho difícil, incluindo a escolha da variedade, a nutrição e o controle de pragas, a colheita, a secagem, a classificação e a retirada dos grãos com defeito”, destaca o engenheiro agrônomo Cleversom da Silva Souza, extensionista do IDR-Paraná.
“Antes a colheita era feita com tudo junto, com grãos verde, o maduro, o seco. Mas agora faz de pouco, porque é mais delicado, tem mais detalhe, exige mais tempo”, descreve Janaina. Sobre o resultado final do café na xícara, ela avalia. “É gratificante porque a pessoa fala que sente aroma e gosto diferentes, bem melhor. Isso me preenche”. 
E o preço triplicou. O café especial, em média, remunera acima de 50% do preço do commodity. Em lotes avaliados em concursos, o que aconteceu com a Janaina, os atributos elevam ainda mais a remuneração