Uma alta expressiva nos preços de cortes de frango e suínos - justamente as carnes até então mais procuradas para quem quer economizar - está assustando os consumidores e trazendo prejuízo aos proprietários de açougues. Nos últimos 40 dias, a alta já ultrapassou os 80% em alguns estabelecimentos de Apucarana.
De acordo com Eliane Aparecida Querubim, dona de um açougue na cidade, a alta está deixando a situação cada vez mais difícil para quem depende das vendas. “O frango começou a subir nos últimos 45 dias e a alta nos preços já chegou a 43%. O porco está subindo toda a semana, nos últimos 30 dias, a alta já chega a 87%. A carne bovina também está subindo. Ao longo do ano, já acumulou cerca de 80% de aumento e agora começou a subir de novo”, contou a comerciante.
“Nós estamos trabalhando com uma margem muito baixa de lucros, porque se repassar todo o aumento para o consumidor, deixamos de vender. O consumidor também fica sem opção, ou paga o preço, ou consome menos, que é o que a maioria acaba fazendo. A maioria das minhas vendas é para restaurantes, então eles não deixam de comprar, mas todos reclamam do preço”, conta a Eliane.
Gean Carlos Souza Neves, também proprietário de açougue em Apucarana, conta que as altas nos preços das carnes já estão causando prejuízos e demissões no comércio. “Em 30 dias, o preço do frango subiu cerca de 25% e o porco já teve 44% de alta. O frango sobe toda semana, pelo menos 5%. Para você ter uma ideia, a tulipa teve alta de 39% em 30 dias. Apesar de segurar bastante o aumento, já estamos fazendo alguns repasses e o consumidor reclama bastante. Nossas vendas caíram, mas as despesas continuam as mesmas, por essa razão já precisei demitir 3 funcionários, para enxugar despesas”, revelou.
O aumento nos preços do milho, utilizado para ração dos frangos e a alta nas exportações da carne bovina e suína, podem explicar os preços na região. “O produtor está preferindo exportar, com preço em alta, do que vender no mercado interno. Para se ter uma ideia, hoje nós (comerciantes) pagamos R$ 290 somente no custo da arroba do boi e já existe previsão de aumento para a semana que vem, o que significa que, logo o preço para o consumidor deve subir ainda mais”, explicou Neves.