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Casos de sífilis aumentam quase 500% em cinco anos na região da 16ª RS

Vanuza Borges

| Edição de 27 de outubro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Sem sintomas graves na fase inicial, a sífilis, uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns do mundo, passa despercebida por meses ou até anos, o que contribui com a disseminação da enfermidade na população. De 2011 para 2016, casos de sífilis adquirida, aquela transmitida durante relações sexuais, aumentaram 472%, passando de 11 investigações para 63, na região da 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, que abrange dezesseis municípios. Já para casos da doença em gestantes, no mesmo período, a alta é ainda maior, passando de 5 registros para 89, uma crescimento de 1.680%.

Imagem ilustrativa da imagem Casos de sífilis aumentam quase 500% em cinco anos na região da 16ª RS


O aumento também foi notado em todo Estado. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), de 2011 a 2016, houve aumento de 1.231% nos casos de sífilis adquirida, passando de 439 casos registrados em 2011 para 5.393 em 2016. Já notificações da doença em gestantes, nesses cinco anos, passaram de 474 casos para 2.066, ou seja, uma alta de 335%. No mesmo período, a sífilis congênita – que é quando ocorre a transmissão da mãe para o bebê - também registrou aumento de 345%, passando de 212 casos em 2011 para 732 em 2016. No caso da sífilis congênita, na área da RS, em 2016, foram registradas 33 situações. 
A enfermeira da Vigilância Epidemiológica, da 16ª RS, Anelise Helena Brizola, avalia que a quantidade de casos está elevada diante dos recursos existentes. “Porém, precisamos observar que neste período melhorou o diagnóstico. Uma das ferramentas que aprimorou esse processo foi a disponibilização de testes rápidos nos serviços especializados de saúde a partir de 2008/2009 e nas unidades básicas de saúde a partir de 2011”, observa.
Anelise analisa que, mesmo com a oferta de testes rápidos nas unidades de saúde, um dos entraves para a investigação de sífilis é a baixa procura da população pelos exames. “Além disso, por ser uma doença sexualmente transmissível, acaba associada à promiscuidade, o que afasta um pouco as pessoas de buscar o diagnóstico, porém essa associação não é verdadeira”, afirma. 
A enfermeira argumenta que a transmissão pode ocorrer em qualquer relação sexual sem preservativo, reforçando que o uso da camisinha é o método mais seguro na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. O sintoma mais comum da doença é uma ferida indolor na região genital. “Muitas vezes, a pessoa acaba nem percebendo e, com isso, continua transmitindo a doença”, diz. 
Numa segunda fase surge lesões na pele e somente depois pode vir a atacar os órgãos internos. “A sífilis antes de atacar os órgãos internos pode passar por um período de incubação, sem sintomas, que pode chegar há 40 anos”, comenta. 

Tratamento diminui risco de transmissão a bebês 
A enfermeira da divisão de DSTs/AIDS e Hepatites Virais, da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Mara Franzoloso, destaca que os riscos para o bebê são enormes no caso de sífilis congênita - a doença pode se manifestar logo após o nascimento ou até nos dois primeiros anos de vida da criança. Ao nascer, as crianças infectadas podem ter pneumonia, feridas pelo corpo, deformação dos dentes, problemas ósseos, cegueira, surdez e até deficiência mental. 
Em alguns casos, a doença pode até ser fatal e levar à morte. De 2015 para 2016 os casos deste mal aumentaram 21,5% no estado. “O aumento dos casos de sífilis congênita não é uma realidade apenas do Paraná. Hoje em dia, o Brasil vive uma epidemia desta doença. Boa parte das crianças que nascem com sífilis transmitida pela mãe terão má formações neurológicas, cognitiva ou motora”, ressalta o superintendente de Atenção à Saúde, da Sesa, Juliano Gevaerd.
A enfermeira da Vigilância Epidemiológica, da 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, Anelise Helena Brizola observa que quando a doença é identificada e tratada logo no início da gestação, a eficácia do tratamento é de quase 100%, evitando a transmissão à criança.
“Por isso, na rede pública é solicitado o teste de sífilis e outras DST’s a cada três meses durante o pré-natal. Quando a gestante não fez o pré-natal, no hospital, a orientação é que também faça o teste rápido, para que seja ambos recebam tratamento adequado”, ressalta. (Com AEN)