Sinônimo de dinheiro no passado, o cheque não dispõe, hoje em dia, do mesmo prestígio. A forma de pagamento, que já foi uma das mais usadas por décadas, perde espaço a cada ano para o cartão de crédito, este sim considerado dinheiro certo. Na Associação Comercial e Empresarial de Arapongas (Acia), por exemplo, a consulta de cheques recuou 37%, de janeiro a junho deste ano, em comparação aos primeiros cinco meses do ano anterior, o que sinaliza uma mudança de comportamento de consumidores e lojistas.
De 1º de janeiro a 31 de maio de 2015, segundo a Acia, foram consultados 1.977 cheques. Já, neste mesmo período deste ano, as análises de folhas despencaram para 1.231, o que significa uma redução de 37,73%. O levantamento também aponta recuo nas verificações para crediário. Em 2015 houve 22.471 consultas SCPC Integrada – aquela que as lojas mais usam quando querem dar crédito aos consumidores. Neste ano, de janeiro a maio, foram feitas 19.975 consultas SCPC Integrada. Os números apontam um recuo de 11%.
A presidente da Acia, de Arapongas, Evelyse Segura, avalia que o cheque está ficando cada vez mais restrito. Um exemplo é seu próprio comércio, que há anos não aceita mais esta forma de pagamento. “Mesmo pagando taxas para as operadoras, o cartão de crédito é mais vantajoso. Significa dinheiro para o lojista, diferente do cheque. Atualmente, nem apresentamos mais como forma de pagamento”, ressalta.
Evelyse comenta que a desvantagem do cheque, é a dificuldade de cobrança quando este é devolvido. “Às vezes, o lojista acaba abrindo mão de receber o valor pelo trabalho que dá. Por isso, decidimos não aceitar mais”, explica.
No caso do cartão, a presidente da Acia acredita que o diferencial é a credibilidade. Isso tanto para os usuários, que não ficam reféns de aprovação de crédito no Serasa ou SPC, quanto para os lojistas, que não correm o risco de não receber. A fotógrafa Shirley Moreira, de Arapongas, acrescenta que o consumidor também não corre o risco de ter uma surpresa desagradável. “Ocorre que muitas vezes soltam o cheque antes, além disso, o cartão oferece vantagens. Posso trocar a pontuação por descontos, produtos e passagens aéreas. Por isso, aboli o cheque já tem mais de dez anos”, afirma.
Já a empresária araponguense Adriana Novaes ainda não conseguiu deixar o cheque de lado. “A maioria das compras faço com cartão de crédito ou débito. Uso o cheque somente para pagar as contas do fim do mês na lotérica”, conta.
PROCON
O coordenador do Procon de Apucarana, Robson de Souza Cruz, esclarece que o lojista não é obrigado a aceitar cheque como forma de pagamento. “Se aceitar, pode determinar tempo de abertura da conta e a praça. O que o empresário precisa fazer é deixar à vista as formas de pagamentos aceitas pelo estabelecimento”, observa.
Prazo é atrativo no pré-datado
O uso de cheques, apesar de estar em declínio no comércio, tem espaço garantido em outros setores, como supermercados. Para o gerente de um supermercado de Apucarana, Leandro Zafalon, o cheque corresponde a 20% da forma de pagamento. “Os nossos clientes usam principalmente quando vira da data do pré-datado, que oferece um prazo maior”, diz. Dependendo da data, o prazo pode chegar a 70 dias.
Zafalon observa ainda que o cheque faz parte de uma geração. “Os mais jovens usam cartão de crédito, mas tem uma geração que ainda gosta de usar o cheque e não sabe viver sem esta forma de pagamento”, avalia. Mesmo assim, o gerente estima que ano a ano, o uso de cheque está menor. Para evitar dor de cabeça, tanto o cadastro para aprovação quanto a cobrança é feita por uma empresa tercerizada.
A empresária Ellen Tanabe, 32 anos, de Apucarana, não faz parte dessa geração acostumada com o cheque, mas usa o recurso para as compras do mês. “Uso somente no mercado, por causa do prazo. Não tem outras vantagens em usar cheques”, avalia.