Por dia, ao menos cinco acidentes de trabalho são registrados na região. Relatório da 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana, feito a pedido da Tribuna, aponta que no ano passado foram mais de 1,9 mil notificações e 9 mortes registradas em 17 municípios da área de atuação da regional. Somente no primeiro trimestre deste ano, foram registrados 402 casos e um óbito, um recuo sutil em comparação aos 444 casos e uma morte registrados no mesmo período de 2025.
Conforme o levantamento, a maior parte dos trabalhadores tem entre 20 e 34 anos, representando 44% do total de notificações deste ano. Na sequência, aparece a faixa etária entre 35 e 49 anos, que corresponde a 28% das ocorrências. Entre os setores com maior incidência de acidentes estão as linhas de produção, operadores de máquinas, confecções, marcenarias e a construção civil.
Segundo a chefe da seção de Vigilância Sanitária Ambiental e Saúde do Trabalhador da 16ª RS, Anelize Sassá, a maioria dos casos se concentra em Apucarana, Arapongas e Sabáudia devido ao porte populacional e industrial dessas cidades.
Anelize esclarece que os números não partem de registros dos empregadores, mas do setor público de saúde. “A nossa fonte de informação é o Sistema Nacional de Informação de Doenças e Agravos de Notificação Compulsória (Sinan). O setor saúde notifica os acidentes a partir do atendimento ao trabalhador ou de ações de vigilância”, explica.
Para mitigar os riscos, a rede estadual conta com Centros de Referência de Saúde do Trabalhador, que realizam apoio técnico, educação permanente e investigações de incidentes para identificar causas e reduzir perigos. A nível municipal, referências técnicas atuam diretamente nos territórios com inspeções sanitárias que avaliam riscos químicos, físicos, biológicos e ergonômicos. Esse trabalho é adaptado à realidade produtiva de cada cidade, direcionando a vigilância para setores específicos.
“Tem municípios onde há mais riscos dentro da construção civil, porque é o ramo produtivo com maior volume. Na região de Arapongas, por exemplo, há uma indústria moveleira muito grande, então os riscos serão maiores nessa área. Cada município tem que ter uma referência técnica e a gente trabalha com um apoiador e orientador deles para desenvolver essas ações”, salienta.