A chuva que não tem dado trégua em Apucarana e região ao longo das últimas semanas tem afetado as lavouras e está tirando o sono de produtores de soja, que está em período de colheita. O plantio da 2ª safra de milho também pode ser atingido caso a situação continue. De acordo com o Instituto Simepar, as chuvas devem continuar pelo menos até sábado (27).
O chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) da unidade de Apucarana da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Paulo Franzini, explica que a situação da soja preocupa. “Estamos na época da colheita, mas os trabalhos estão paralisados. Com a chuva, não tem como as máquinas entrarem na plantação. Com isso, problemas já enfrentados pelos produtores desde as fortes chuvas de dezembro e janeiro podem ser agravados”.
Ele afirma que a produtividade pode ser afetada. “Nossa projeção inicial, na época do plantio, era de uma produtividade média entre 3,3 e 3,6 toneladas por hectare. Em janeiro, essa projeção foi reajustada, ficando entre 3,1 e 3,4 toneladas. Se a situação se manter, a produtividade pode ser ainda mais comprometida”.
Produtor de soja com 140 alqueires plantados, Luis Roberto Felipete afirma que teve 90% da lavoura afetada. “Se a chuva parar hoje [ontem], já terei de 30 a 35% de prejuízo. A cada dia que chove mais, o prejuízo aumenta. Com a chuva, não tem como entrar com o maquinário na lavoura, nem para colher, nem para fazer o uso de pesticidas. Com isso, parte da soja já está brotando na vagem, e parte é perdida pela ferrugem asiática”, diz.
Atualmente, pouco mais de 30% da lavoura foi colhida na região, segundo a Seab. No Núcleo Regional de Apucarana do órgão, mais de 123 mil hectares foram plantados. Boa parte da lavoura foi afetada pela praga conhecida como ferrugem asiática, que se prolifera com maior intensidade por causa das chuvas.
Segundo a Seab, o atraso da colheita de soja pode afetar o plantio da 2ª safra de milho, que é feito por diversos produtores no mesmo espaço ocupado anteriormente pela soja. De acordo com o órgão, a data-limite para o plantio do milho é 10 de março. Após essa data, uma boa produtividade não pode ser garantida.
Segundo o Instituto Simepar, deverá chover pelo menos até este sábado (27). “Deverão ocorrer pancadas de chuva isoladas, típicas da estação, diferentemente do que acontecia no início do ano, quando o tempo era afetado pelo fenômeno El Niño. Apesar de comuns, as chuvas já chegaram a 252 milímetros em Apucarana, bem acima da média histórica de 188 milímetros para o mês de fevereiro”, destaca Ana Beatriz Porto, meteorologista do Simepar.
Região de Ivaiporã também registra perdas
Na regional da Seab de Ivaiporã, até agora foram colhidos apenas 25% da área semeada de 291 mil hectares.
O produtor André Luiz da Silva, de Ivaiporã, que semeou 65 alqueires está preocupado, ele conta que até agora colheu apenas 10% da área plantada. “Se não fosse essa chuva já estaria terminando a colheita. O problema é que os grãos que serão colhidos vão perder a qualidade e o prejuízo é certo”, comenta Silva.
O agrônomo do Deral local, Randolfo Oliveira, diz que a soja que estava pronta para colheita terá perda na qualidade. “O problema é que se as precipitações forem persistentes até a próxima semana, pode aparecer rachaduras nas vagens e os grãos começarem a brotar”, comenta Oliveira. Por outro lado, as lavouras que estão em fase de frutificação, cerca de 35% da área plantada, as precipitações estão sendo propícias