Várias agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no país inteiro foram vítimas de um ‘ciberataque’ promovido por hackers, que deixou o sistema lento e alguns equipamentos fora de uso. Ontem, a agência de Apucarana estava sem serviço por conta do problema, assim como várias outras unidades. O INSS garante que nenhuma informação dos contribuintes foi acessada pelos hackers. O problema não é novidade na região: duas prefeituras e uma empresa foram vítimas de ataques virtuais semelhantes no ano passado.
De acordo com o chefe da agência de Apucarana do INSS, Nelson Oscar, aproximadamente 15 computadores foram infectados com o vírus responsável pelo ciberataque. “O problema foi identificado na tarde da última sexta-feira (12). Desde então, tivemos que paralisar as atividades na agência, até que o problema seja resolvido. É importante ressaltar que agências em todo o Brasil foram afetadas pelo problema”, afirma. A agência manteve as portas abertas ontem para orientar os contribuintes, apenas para orientações.
Segundo ele, não há prazo para a retomada das atividades na agência apucaranense. “Infelizmente, não temos como precisar uma data para normalizarmos os atendimentos aos contribuintes. Esperamos que seja o mais rápido possível. Estamos agora aguardando as orientações dos responsáveis pelo sistema do INSS, para que possamos religar os equipamentos”, diz.
De acordo com autoridades europeias, o ciberataque fez cerca de 200 mil vítimas em pelo menos 150 países. No Brasil, os sites dos Tribunais de Justiça de Roraima e do Espírito Santo ficaram fora do ar e não haviam voltado ao normal até o fechamento desta edição. Empresas e órgãos públicos de 14 estados brasileiros mais o Distrito Federal também foram atacados.
O ataque é feito por um vírus denominado ‘Wanna Cry’, que é espalhado através de e-mails. Quando o usuário clica em um anexo ou link falso, o vírus invade o computador e embaralha os arquivos, impedindo seu funcionamento normal. Para restaurar os arquivos e recuperar o sistema, a vítima precisa fazer um pagamento, que gira em torno de R$ 1 mil. O pagamento precisa ser feito através de uma moeda virtual chamada Bitcoin, que dificulta o rastreamento pelas autoridades.
Prefeituras da região já foram alvo de ataques
Em 2016, as prefeituras de Rio Branco do Ivaí e Grandes Rios foram alvo de ataques semelhantes ao realizado na última semana. Desde então, os dois órgãos públicos tomam medidas de segurança constantes para evitarem os ataques. “Por sorte, tínhamos os arquivos salvos em outro lugar, o chamado ‘backup’. Por isso, não pagamos o resgate exigido. Desde então, atualizamos todos os computadores e também adquirimos novos antivírus. Também fizemos um trabalho de conscientização com os servidores, já que esse tipo de vírus só infecta os computadores se alguém abrir um anexo infectado ou um link falso”, afirma Cleiton Cardoso, assessor de Tecnologia da Informação (TI) da prefeitura de Grandes Rios.
Em Rio Branco do Ivaí, a prefeitura não teve tanta sorte e precisou pagar R$ 8 mil para terem os arquivos de volta. No entanto, no dia seguinte ao pagamento, os hackers voltaram a infectar os computadores. “Entre um ataque e outro, fizemos o backup dos arquivos e, por isso, não precisamos pagar duas vezes. Hoje, temos três tipos de backup, que são feitos diariamente. Fizemos a atualização dos sistemas operacionais dos computadores, adquirimos novos softwares de proteção e chegamos inclusive a trocar o sistema físico também, como computadores e servidores de rede”, explica Claudionor Franco, técnico em planejamento da prefeitura de Rio Branco do Ivaí.