A telefonista Tereza Martins, de 62 anos, precisou fazer duas cirurgias de catarata, doença que compromete gradativamente a visão, nos últimos três anos. A apucaranense descobriu que precisava passar por uma intervenção cirúrgica durante uma consulta de rotina. “É maravilhoso voltar a enxergar perfeitamente”, revela. Assim como Tereza, outras pessoas também ganharam mais qualidade de vida através do Mutirão Paranaense de Cirurgias Eletivas, do governo do Estado. Em dois anos, em todo Paraná, foram realizados 66 mil procedimentos.
Somente na área de abrangência da 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, e na 22ª RS, de Ivaiporã, entre 2015 e 2016, foram realizados cerca de 3,3 mil procedimentos em diversas áreas. Com os mutirões, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), o Estado reduziu a fila de espera em áreas como ortopedia, ginecologia, cirurgias de catarata, hérnia, vasculares, entre outros.
Para o segundo semestre desde ano, através da 16ª RS, estão previstas cerca de 350 cirurgias eletivas, que são aquelas que não têm caráter emergencial. Entre os procedimentos estão previstos 73 na área de ortopedia; 35 ginecologia; 160 clínica geral e 19 oftalmologia (catarata), entre outras demandas. “A maioria desses procedimentos teve um incremento de 100% no valor de tabela do Sistema Único de Saúde (Sus), o que facilitou a negociação para que os prestadores nos atendessem, já que o valor estava defasado”, pontua a chefe da 16ª RS, Clara Lemes de Oliveira.
Para que haja os procedimentos de forma eficiente, Clara ressalta a importância da participação das equipes municipais de saúde, que organizam as demandas e têm a responsabilidade de priorizar algumas especialidades, que necessitam de maior atenção. “Neste sentido é importante observar que entre os anos de 2015 e 2016 foram realizados aproximadamente dois mil procedimentos cirúrgicos através do mutirão de cirurgias eletivas, mas esse número provavelmente é bem maior, uma vez que as cirurgias de média e alta complexidade fazem parte da rotina e oferta dos hospitais da região”, sublinha.
Para a chefe da RS, de Apucarana, o mutirão de cirurgias eletivas proporciona a redução de filas de espera a pacientes que estão aguardando há anos por procedimentos eletivos. “Quando realizamos o último mutirão, conseguimos zerar a fila de espera por cirurgia de catarata. Outra oferta importante na nossa área de abrangência que tivemos na campanha anterior foi a de próteses auditivas”, diz.
Ainda sobre os mutirões, Clara avalia que são de grande valia, pois auxiliam na negociação de diferentes serviços e ações em saúde, além de fortalecer a negociação com serviços hospitalares regionais e também possibilitar a compra de serviços de outros municípios.
‘Catarata’ tem maior demanda
A maior parte das cirurgias foi de catarata no Estado. Em diversas regiões, a fila de espera foi zerada e, em outras, o tempo de espera foi reduzido pela metade. É o caso da 8ª Regional de Saúde, de Francisco Beltrão. “Conseguimos zerar a fila de espera pela cirurgia de catarata em nossa região. Agora, os poucos que aguardam são atendidos na rotina de procedimentos do Hospital Regional do Sudoeste”, esclarece a diretora da 8ª Regional de Saúde, Cintia Jaqueline Ramos.
A catarata é uma doença grave que compromete a visão e que, se não tratada adequadamente, pode até levar à cegueira. A maioria dos casos se desenvolve em pessoas com idade mais avançada. Antoninho Zangrande, de 80 anos, foi diagnosticado com catarata e esperou cinco meses para operar os dois olhos. “Em poucas horas saí de lá e nem parecia que tinha passado por cirurgia”, conta. (AEN)