Dezenas de coletores de lixo de Apucarana paralisaram as atividades na manhã de ontem para cobrar melhores condições de trabalho perante a empresa Costa Oeste, que possui a concessão do serviço de coleta de lixo na cidade. Os funcionários ficaram concentrados durante a manhã na calçada em frente à sede local da empresa. Após intervenção do sindicato da categoria, os profissionais retomaram o trabalho já no final da manhã.
Os profissionais reivindicam a contratação de mais profissionais para realizar as coletas e também o pagamento de um bônus prometido pela empresa. “Estamos revoltados. Queremos o bônus e mais profissionais para trabalhar com a gente. Sabemos que nossos empregos correm risco, mas precisamos de melhores condições de trabalho”, afirma José Luís, que trabalha para de motorista há cerca de 10 meses na empresa.
Izabel Aparecida de Souza, presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Londrina (Siemaco), que representa os funcionários de Apucarana, afirma que a reivindicação é válida. “Eles praticam um trabalho árduo, difícil. No entanto, hoje são apenas dois coletores por caminhão, o que dificulta o serviço. O cansaço é grande e há ainda o risco de lesões”, explica.
Devido ao protesto, a coleta foi prejudicada em diversos bairros da cidade. A empresa se pronunciou dizendo que apenas os cerca de 20 funcionários do turno da manhã paralisaram as atividades. Segundo a empresa, apenas uma pequena parte da cidade ficou sem o recolhimento do lixo ontem, mas não informou quais foram os bairros afetados pela greve. Cerca de 2,5 mil toneladas de lixo são coletadas por mês em Apucarana.
A Prefeitura de Apucarana, contratante dos serviços mediante licitação, afirma acompanhar o caso de perto, através da Procuradoria Jurídica do município.
“Notificamos a empresa e exigimos a retomada imediata dos serviços. A Costa Oeste tem até 24 horas para apresentar uma justificativa, sob pena de ter aplicadas sanções previstas em contrato, que vão de multa até a rescisão do documento”, afirma o procurador-geral do município, Rubens Henrique de França.
Segundo ele, a coleta de lixo é um serviço essencial, com exigências previstas em contrato. “Nós acompanhamos e fiscalizamos os pagamentos realizados, a situação dos trabalhadores e também se os direitos trabalhistas estão todos sendo respeitados. No entanto, só tomamos conhecimento das reivindicações dos trabalhadores com a greve”, ressalta.
No final da tarde de ontem, trabalhadores, empresa, sindicato e prefeitura fariam uma reunião para discutir os pedidos dos profissionais. (COLABOROU FERNANDA NEME)