Por conta da baixa rentabilidade, criadores de suínos da região estão abandonando a cultura. O preço do quilo da carne caiu nos últimos meses e o valor do milho, principal ingrediente da alimentação dos animais, aumentou consideravelmente desde janeiro. De acordo com criadores de animais, os prejuízos chegam a aproximadamente R$ 100 por animal.
Em Apucarana, a média de preço do quilo do suíno em 2015 ficou em R$ 3,34, considerado um patamar mediano, mas que não oferece muita lucratividade ao criador. Hoje, o preço praticado é próximo: R$ 3,35. No entanto, este não foi um bom ano. Em abril, a cotação ficou abaixo dos R$ 3 e, em maio, atingiu o segundo menor nível desde 2013: R$ 2,78, 16,7% abaixo da média do ano anterior.
Já a cotação do milho disparou. Em 2015, a saca de 60 quilos do grão chegou a custar R$ 19,78. Em junho de 2016, o preço saltou para R$ 40,15, mais que o dobro do valor praticado no ano anterior. Como o milho é a principal matéria-prima da suinocultura, o encarecimento do produto impacta diretamente na lucratividade dos suínos.
“O preço dos suínos tem a tendência de oscilar bastante, nunca chegando a um patamar que gere grandes lucros para os criadores. No entanto, essa situação se agravou ainda mais neste ano, com preços bem abaixo da média e o custo de produção cada vez mais alto”, afirma o técnico administrativo da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em Arapongas, Reginaldo Lopes.
Segundo ele, isso tem alterado a dinâmica de algumas propriedades. “Muitos produtores estão diminuindo a área de criação de suínos e também o número de cabeças na propriedade, dando mais atenção à lavoura. Alguns ainda estão deixando totalmente a suinocultura”, diz.
CRISE
Proprietário de uma das poucas granjas de suínos que restaram da região, Nelson Guidoni afirma que o setor passa por uma crise. “Estamos tendo prejuízos há sete meses. Hoje, cada suíno abatido deixa um prejuízo de aproximadamente R$ 100, porque o preço do animal não paga os custos da criação”, explica.
A propriedade, em Arapongas, que já chegou a ter 5 mil cabeças de suínos, já perdeu cerca de 1 mil animais neste ano.
“Além de abate, criamos animais também para reprodução. Reduzimos o número porque não há mais tanta demanda. Tivemos ainda que nos adaptar a essa crise. Antes, vendíamos para grandes granjas no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Atualmente, estamos vendendo para estados do norte e nordeste, ou seja, estamos precisando ir mais longe para fazermos negócio. Também estamos vendendo para pequenas propriedades, pulverizando a comercialização”, diz.