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Conselho Tutelar de Apucarana faz alerta contra fugas de adolescentes

Renan Vallim

| Edição de 28 de outubro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O número cada vez maior de desaparecimentos de adolescentes e jovens em Apucarana preocupa o Conselho Tutelar. De janeiro a outubro deste ano, o órgão registrou 15 atendimentos desse tipo no município. Na grande maioria dos casos, são jovens que fogem de casa por vontade própria. A maior parte é de meninas na faixa dos 13 anos e com algum histórico de desavenças familiares.
De acordo com o conselheiro tutelar André Avelar, a desestrutura familiar é a principal causa para essas fugas. “Muitos pais não impõem limites aos filhos desde crianças. Os filhos crescem e se tornam adolescentes, que têm por natureza um caráter de afrontar. Nesse momento, os pais buscam corrigir esse problema na criação, impondo limites, o que gera um choque. Sendo assim, os pais não conseguem segurar os filhos e alguns deles simplesmente fogem de casa, buscando sair daquele ambiente que de repente se tornou hostil”, diz.
Na tentativa de ‘segurar’ o adolescente, que cresceu sem a imposição de limites, muitos pais partem até mesmo para a agressão física. “Não é raro a fuga acontecer após um caso de agressão. O jovem cresce sem limites, fazendo o que bem entender e, de uma hora para outra, os pais querem mudar isso, porque as atitudes do filho se tornaram agudas. No entanto, é tarde demais”, diz o conselheiro.
De acordo com levantamento realizado pelo Conselho Tutelar de Apucarana, dos 15 casos atendidos entre janeiro e 17 de outubro deste ano, 11 são do sexo feminino e apenas 4 do sexo masculino. Uma das causas pode ser o caráter mais opressor às meninas do que aos meninos. As famílias seguram mais as garotas, tornando o ambiente familiar mais hostil a elas, que procuram fugir de casa.
“A maioria dos jovens é encontrada na casa de amigos ou namorados. Muitos deles não fogem apenas uma vez, mas tornam esse um evento frequente. Há também os adolescentes envolvidos com drogas, mas não são a maioria”, afirma o conselheiro. As fugas aconteceram neste ano com adolescentes a partir dos 12 anos. A faixa etária de maior incidência é aos 13 anos, com cinco casos computados.
“Os pais precisam impor limites, conhecer mais seus filhos e também dar carinho e atenção. Vemos que muitos pais têm bloqueio total de afetividade. Isso é muito ruim”, afirma André. “As redes sociais ajudam bastante na hora de encontrar os jovens. Elas são fundamentais, porque as fotos acabam rodando por um número muito maior de pessoas, ajudando na identificação”, diz.

DESAPARECIDA
Mãe de uma adolescente de 15 anos, uma dona de casa apucaranense que preferiu não se identificar explica que a filha ficou desaparecida por uma semana até ser encontrada. “Não sei porque ela fez isso. Nós discutimos porque ela queria ir a uma festa e eu não deixei. No dia seguinte, ela tinha sumido. Fui na delegacia e eles a encontraram uma semana depois”, conta.
Segundo a mãe, a garota foi encontrada na casa de uma amiga. “Amizades erradas acabam provocando isso, essa rebeldia. Nós pais precisamos ficar atentos e saber com quem nossos filhos andam. Agora, estou tentando fazer com que ela volte para casa, mas ela não quer. Ela tem uma irmã mais velha que nunca me deu trabalho. Estou perdida”, diz a mãe.