O ano de 2016 registrou o menor número de alvarás de construção emitidos desde 2007, segundo dados da Secretaria Municipal de Obras de Apucarana. A queda nos pedidos de autorização para novas obras na cidade expõe o momento difícil pelo qual passa o setor de construção civil. De acordo com construtoras, a crise econômica está afetando fortemente o mercado, que não vê indícios de recuperação a curto prazo.
Foram emitidos, ao longo de 2016, 689 alvarás para construções em Apucarana, de acordo com levantamento da Secretaria de Obras. O número é 18% menor do que no ano anterior, quando foram emitidas 840 documentações.
A última vez que Apucarana registrou um desempenho tão baixo foi em 2007. Naquele ano, a Secretaria havia registrado 621 alvarás aprovados. O melhor período foi entre 2010 e 2014, quando o município ficou sempre acima dos 1 mil alvarás expedidos. O destaque fica por conta de 2011, com 1.254 aprovações.
Gerente de uma construtora em Apucarana, Peterson Zacharias afirma que a situação da construção civil na cidade, bem como em praticamente todo o país, é complicada. “São poucos os novos empreendimentos no setor, sobretudo de grande porte. Essa situação está assim há cerca de dois anos. Apenas os empreendimentos que já haviam sido começados é que estão sendo realizados”, afirma.
Segundo ele, o panorama para os próximos meses ainda é incerto. “Pelo menos na nossa construtora, não temos nada previsto para Apucarana por enquanto. Talvez possa surgir algo em Londrina ou em outras cidades. A situação está complicada para todos no setor”, ressalta.
EMPREGOS
A situação difícil da construção civil também se reflete nas vagas de emprego do setor. Em Apucarana, as demissões em 2016 superaram as contratações pelo terceiro ano consecutivo, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), órgão ligado ao Ministério do Trabalho.
Foram 700 demissões contra 496 contratações ao longo do último ano no setor, o que resulta em um saldo negativo de 204 empregos. A situação havia sido ainda pior em 2015, quando as demissões atingiram 1.475 trabalhadores com carteira assinada, contra 984 contratações. O saldo naquele ano havia ficado em -491 postos de emprego.
Proprietário de uma construtora na cidade, José Herculano Ferreira afirma que o mercado de trabalho na construção civil tem perdido vagas. “O mercado estava muito aquecido em anos anteriores e, por isso, muita gente migrou para o setor. Agora, essas pessoas estão voltando para os antigos setores. Acredito que, em 2016, o problema foi que o setor industrial, também em crise, não investiu muito. Isso causou uma redução considerável nos empreendimentos”.
O pico no número de trabalhadores na construção civil em Apucarana aconteceu em 2013, superando os 1,8 mil postos de trabalho. Hoje, esse número caiu cerca de 28,7%, o que significa que, de cada quatro trabalhadores empregados no setor em 2013, hoje pelo menos um está desempregado. Hoje, são 1,3 mil trabalhadores com carteira assinada na área. Em um setor ainda marcado pela informalidade, esse panorama pode ser ainda mais negativo.