A construção civil em Apucarana tem registrado forte retração neste ano. A queda de alvarás aprovados pela Prefeitura para novas obras caiu 39,4% no primeiro semestre deste ano, no comparativo com o mesmo período do ano passado. A redução mais drástica foi na área aprovada para construção, que caiu 92,2%. Uma retração natural, potencializada pela instabilidade econômica do país, é apontada como sendo a causa para a queda.
De acordo com os dados da Secretaria Municipal de Obras, a Prefeitura de Apucarana aprovou 431 alvarás para obras na cidade entre janeiro e junho de 2015. Em 2016, neste mesmo período do ano, o número de alvarás aprovados ficou em 261, resultando na queda de quase 40%.
A área aprovada para construções, que em 2015 ficou em quase 146 mil m², despencou para pouco mais de 11,3 mil m² neste ano, queda de 92,2%. As obras de grande porte também reduziram drasticamente. Foram 12 prédios aprovados no ano passado, totalizando mais de 100 mil m² de área construída. Em 2016, ainda não houve nenhum.
De acordo com o secretário municipal de Obras, Herivelto Moreno, a queda já era esperada. “Houve um grande crescimento nos projetos a partir de 2014. É natural que aconteça um declínio na sequência. No entanto, essa queda está sendo agravada pela situação econômica complicada do país. Com isso, estamos voltando a um patamar próximo ao que tínhamos em 2008”, diz. No final de 2014, Apucarana desenvolveu um novo Plano Diretor, o que levou ao aumento no número de novos empreendimentos.
Os reflexos no mercado da construção civil têm sido fortes. O gerente de uma construtora de Apucarana, que prefere não se identificar, explica que a empresa não iniciou nenhum projeto novo em 2016 e que não há previsão para iniciar ainda neste ano. “Estamos apenas terminando o que já vinha sendo feito, além da realização de reformas menores. O cenário econômico não ajuda, há dificuldade de conseguir financiamento e a alta no desemprego acaba afetando muito essa situação”, diz.
Segundo ele, a empreiteira, que tinha cerca de 40 funcionários exclusivos para as obras, hoje tem menos de 10. “Estamos procurando novos produtos para tentar nos adequar à situação atual, mas está sendo bastante complicado”, afirma.
Diretor técnico de outra construtora em Apucarana, Wanderlei Mello acredita ainda que, além do fator econômico, há um fator psicológico que interfere no mercado. “Muitos têm receio em investir neste período conturbado e, com isso, a situação se agrava mais. Só quando o cenário econômico estabilizar, é que poderemos vislumbrar algum progresso”.
No entanto, segundo ele, alguns nichos de mercado se mantiveram em bom patamar. “Os conjuntos habitacionais com recursos oriundos do FGTS ainda continuam em ritmo normal. Hoje, esse mercado está sendo uma das saídas”.