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Conta de luz mais cara impacta no orçamento

DA REDAÇÃO

| Edição de 29 de julho de 2021 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A fatura de energia elétrica chegou e deu um verdadeiro susto nos consumidores. A conta, com vencimento para agosto, ficou mais cara após o reajuste na bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou a valer neste mês e incide no preço de acordo com o consumo.  

Na casa do padeiro apucaranense Basílio Santos Neto, 33 anos, o preço da energia elétrica subiu 24,8%. Segundo ele, a família de quatro pessoas gastava, em média R$ 250 por mês. Valor que passou para R$ 312 na  conta de luz que vencerá em agosto. “Levei um susto, pois não estava sabendo que estávamos na bandeira vermelha”, afirma. 
Ele conta que o uso do ar condicionado quente aumentou por conta do frio, contudo, verificou na fatura  que o consumo mensal continuou no mesmo patamar dos meses anteriores e acredita que o reajuste foi responsável pela alta na conta de luz. No mês passado a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reajustou a cobrança extra que passou de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos, uma alta de 52%. O novo valor começou a valer neste mês e a previsão é que a bandeira permaneça acionada até novembro, para o desespero dos consumidores.
“Está muito caro, saiu fora do meu orçamento. Na minha casa eu e minha esposa trabalhamos e ficará difícil, porque tudo aumentou o preço”, reclama o padeiro. 
Se no consumo residencial a bandeira vermelha elevou os custos, no setor empresarial o impacto foi ainda maior. O empresário Sérgio Pereira Souza Júnior, 39 anos, proprietário de um mercado em Apucarana, teve um aumento de 70% no preço da energia elétrica de seu estabelecimento. Ele conta que gastava R$ 3,5 mil, em média, e a última conta o consumo chegou perto de R$ 6 mil. “Acaba enxugando mais a minha margem de lucro, porque não repasso os aumentos para os clientes. Assim fica cada vez mais difícil de trabalhar”, reclama. 
No estabelecimento de Júnior estão instalados muitos equipamentos que dependem da energia elétrica. Alguns ficam 24 horas ligados na tomada, gerando um gasto alto. “Tem câmara climática, câmara fria, freezers, geladeiras, iluminação do mercado, entre outros equipamentos que não tem como ser desligados porque são ferramentas de trabalho”, explica. 
Quem ainda não recebeu a fatura, referente ao consumo do mês de julho, está com medo. “Tomara que não tenha um aumento significativo”, espera empresário Celso Henrique Gimeni, proprietário de uma casa de carnes. 
Para o economista Rogério Ribeiro, professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), este é mais um golpe no bolso do consumidor. E segundo ele, para muitas pessoas é difícil economizar, já que o salário mínimo é incompatível com o custo de vida atual. “Esforços para redução de gastos já vêm sendo feitos há meses, considerando o nível de desemprego e a inflação que está corroendo os ganhos dos trabalhadores”, observa. 
Ribeiro descreve o cenário como um período de descontrole dos preços. De acordo com ele o índice geral deverá acumular alta superior a 6% no ano e os preços administrados, aqueles monitorados por contratos (tais como, água e esgoto, energia elétrica, gás de cozinha, transporte público, entre outros) deverá acumular alta superior a 10% no ano. Isso tudo sem contar a alta nos preços dos alimentos.