De janeiro a novembro deste ano, 18 famílias autorizaram a doação de órgãos de parentes que morreram nos hospitais de Apucarana e Arapongas, segundo os dados do Paraná Transplantes. O número poderia ser maior se as pessoas conversassem mais sobre o assunto, afirmam profissionais da área, que se mostram preocupados com o avanço no número de recusas familiares para a realização do procedimento.
O Hospital da Providência de Apucarana teve uma taxa de conversão de 64% entre janeiro e novembro deste ano. Foram 14 pessoas aptas para doar, com nove autorizações familiares e cinco recusas. No Hospital Materno Infantil também aconteceu uma doação.
Em todo o ano de 2019, a taxa de conversão no ‘Providência’ ficou em 75%, com 20 potenciais doadores, sendo que em 15 casos houve a autorização familiar, mas em cinco houve recusa. No Materno Infantil, houve um caso de possibilidade de doação, mas foi recusado pela família.
Gredielli Rigodelo é enfermeira e vice-coordenadora da CIHDOTT do Providência. Ela disse que a equipe trabalha buscando dar o acolhimento necessário aos familiares. “Tem família que já vem com um ‘não’ para a doação. Por isso, é importante realizar esse trabalho de acolhimento, explicar o processo. Existem muitas dúvidas sobre se a doação vai causar deformidade no corpo, demorar muito para ser captado. Quando um paciente tem morte encefálica, já chamamos a família e explicamos que a situação do paciente é muito grave, falamos da possibilidade da doação de órgãos. É um trabalho mesmo de captar, que não para”, detalha.
A profissional também afirma que é importante abordar o assunto em casa, expressar a vontade de ser doador. “É um assunto chato, mas é preciso comunicar o seu desejo em vida. Quando isso acontece, a família acata esse desejo, mesmo sendo contra. Há esse respeito por parte dos familiares com relação ao desejo da pessoa”.