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Crescimento no número de suicídios preocupa autoridades

Adriana Savicki

| Edição de 02 de setembro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Enquanto os índices de homicídios e latrocínios entraram em um ritmo de queda na região – o ano de 2017 foi o de menor número de vítimas nos últimos sete anos -, um outro tipo de morte violenta vem ganhando contornos de problema de saúde pública. O crescimento dos índices de óbitos auto-infligidos, designação técnica para suicídio, preocupa autoridades ligadas principalmente à área de saúde mental, que reforçam ações de valorização à vida neste mês dentro da campanha Setembro Amarelo. 
O total de casos na região cresce desde 2015 (ver infográfico). Entre janeiro e agosto, já foram registradas 30 mortes na área da 16ª Regional de Saúde. O número de casos de suicídio se iguala às mortes por homicídio e latrocínio, que também somaram 30 vítimas.
Em todo o ano de 2017, suicídios tiraram a vida de 35 pessoas, número que coloca a região com uma taxa muito superior à estadual. Com uma população estimada em quase 381 mil pessoas nos 17 municípios da área da 16ª RS, o índice é 9,1 casos para cada 100 mil habitantes. No Paraná, a taxa em 2016 – último dado disponibilizado pelo Ministério da Saúde – era de 6,8 óbitos para cada 100 mil habitantes. “Os números preocupam muito porque os suicídios são mortes evitáveis”, comenta a psicóloga Juliana Lenartovicz de Oliveira, da 16ª RS.
O reforço nas ações de prevenção aos suicídios começou a ser intensificado a partir de abril. Foram 10 registros de mortes apenas neste mês, o que acendeu um alerta. Segundo Juliana, uma série de ações, notadamente de capacitação, foram implantadas para prevenção de casos. Na semana passada, por exemplo, cerca de 120 profissionais de áreas de saúde, educação e segurança dos municípios da área participaram de um treinamento para dar mais subsídios na identificação e abordagem de pacientes e pessoas em situação de vulnerabilidade. “Além de agentes e profissionais da rede de saúde básica, treinamos socorristas, guardas municipais e também profissionais da educação”, comenta.
Segundo a psicóloga, é preciso quebrar o estigma que envolve o suicídio e dar visibilidade ao sofrimento do paciente. “A gente deve sim falar e abordar o suicídio, mas isso deve ser feito de uma forma a acolher a pessoa que está em ideação. O paciente precisa se sentir confortável e compelido a falar sobre sua dor”, comenta. 
A 16ª RS também vem prestando apoio técnico aos municípios. Na semana passada, um encontro intersetorial foi realizado em Jandaia do Sul. Com quatro casos registrados neste ano, o município capacitou profissionais da área de saúde, assistência social e Conselho Tutelar. Ações semelhantes foram realizadas em outros municípios.
Juliana destaca que, até o final do ano, a metodologia de estratificação de saúde mental vai passar por uma reformulação. O objetivo é criar novos mecanismos de identificação de risco de suicídio durante as abordagens dos pacientes na rede de saúde. “Isso implica em reformulação dos questionários padrão, na adoção de novas orientações de atendimento, entre outras”, comenta.

Cisvir e AMS promovem seminário de prevenção
A prevenção  e como tratar o tema suicídio entre crianças e adolescentes será tema de uma capacitação promovida em parceria entre o departamento de saúde mental da Autarquia Municipal de Saúde (AMS) de Apucarana e Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Ivaí (Cisvir) no próximo dia 10.
Segundo a assistente de gestão da AMS, Bárbara Braga de Almeida, o público alvo da capacitação são profissionais da educação. “Eles estão em contato constante com crianças e adolescentes e muitas vezes tem dificuldade em saber como lidar e abordar o assunto”, comenta.
Ela destaca que o objetivo do encontro é exatamente oferecer um panorama técnico a respeito do tema, que vem ganhando repercussão entre os jovens inclusive através da internet. “A ideia é garantir que se identifique a ideação do jovem e saber como lidar com isso, além de discutir a implantação de práticas e discussões de valorização da vida”, comenta.
O encontro também vai ofertar orientações específicas para a imprensa regional. “Não é que o suicídio não deva ser noticiado, mas há formas de fazer isso”, comenta.