Com a ameaça de países estrangeiros em barrar a importação da carne brasileira, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou ontem que a descoberta de fraudes em frigoríficos nacionais causou um "embaraço econômico" para o país. Em discurso a empresários e investidores, o peemedebista avaliou que causou um "grande alarde" as irregularidades descobertas pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, mas minimizou o seu alcance no mercado brasileiro.
A estratégia de minimizar as irregularidades e criticar a atuação da Polícia Federal (PF) tem sido usada pelo governo peemedebista na tentativa de evitar um impacto maior na compra da proteína animal pelo mercado internacional. "Não podemos deixar transitar impunemente um alarde que não alcança a totalidade dos frigoríficos e exportadores brasileiros", acrescentou.
Em reunião no Palácio do Planalto, o presidente defendeu que a equipe ministerial contribua na ofensiva para reduzir os danos da crise da carne e defenda o discurso de que é um "episódio localizado", que não envolve a maioria dos frigoríficos.
Ontem à tarde, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, visitou um frigorífico da Seara na cidade de Lapa, no interior do Paraná. Controlado pelo JBS, o frigorífico não teve desvios sanitários. O problema na unidade, segundo o ministro, foram os supostos casos de corrupção envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura e a empresa na expedição dos certificados de exportação.
Blairo Maggi, que fez na segunda-feira críticas duras à operação da PF, voltou a comentar o que o Governo Federal acredita que são erros de interpretação da PF. O caso mais emblemático revelado pela operação é o suposto uso de papelão no processamento das carnes. “No processo não usa papelão. Foi uma informação errada. Ouviram erradamente porque não conhecem os termos do dia a dia de uma planta dessa. É lamentável, mas aconteceu”, garante Maggi.
O peemedebista garantiu que a carne brasileira tem qualidade e reforçou que o governo está em contato com autoridades internacionais para explicar o que chama de problemas pontuais. Porém, ele acrescentou que é impossível prever o tempo necessário para recuperar a imagem dos produtores brasileiros: “Essa é a pergunta que vale um milhão de reais”, completou.
APUCARANENSE
O empresário apucaranense Nilson Umberto Sacchelli Ribeiro se entregou ontem à tarde à Polícia Federal em Foz do Iguaçu. Ele chegou à delegacia acompanhado do advogado por volta das 16h30. Sacchelli Ribeiro teve prisão preventiva decretada durante a Operação Carne Fraca.
A defesa do empresário negou as acusações contra o empresário e informou que Sacchelli Ribeiro deve ser transferido hoje para Curitiba. Segundo os advogados, o apucaranense demorou a se apresentar porque estava reunindo documentos para “provar sua inocência”. A defesa deve entrar nas próximas horas com pedido de habeas corpus e contesta o pedido de prisão preventiva.