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Déficit da Polícia Civil: das sete comarcas da região, duas não têm delegado titular

Aline Andrade

| Edição de 25 de março de 2022 | Atualizado em 25 de março de 2022
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Ano após ano, o déficit no quadro da Polícia Civil aumenta em todo o estado, sobretudo no interior. Na região, a 17ª Subdivisão Policial de Apucarana (SDP), responsável por 26 municípios e uma população estimada de 337.179 habitantes, conta, atualmente, com 6 delegados, mais a titular da Delegacia da Mulher, 46 investigadores e 16 escrivães, um déficit de mais de 50% no quadro de servidores para atender a demanda, segundo profissionais do setor. Das sete comarcas, duas estão sem delegado titular. 

De acordo com o delegado-chefe da 17ª SDP Marcos Felipe da Rocha Rodrigues, o trabalho da polícia é extremante prejudicado por conta da sobrecarga dos profissionais. Ele mesmo, desde 2019, acumula as funções de delegado-chefe, adjunto e operacional. “Eu precisava no mínimo de outros dois delegados para trabalhar em Apucarana. E o problema se arrasta pela região, pois os delegados titulares de Faxinal e de Jandaia do Sul, também acumulam funções, já que os municípios de São João do Ivaí e de Grandes Rios estão sem delegado titular. Na década de 80, a comarca de Apucarana chegou a ter 5 delegados. Hoje com população e demanda muito maior, somos apenas eu e a delegada titular da mulher”, disse.

Ainda segundo o delegado-chefe da 17ª SDP, um concurso para formação de delegados está em andamento e há expectativa de que pelo menos 50 profissionais sejam distribuídos no interior. O número não resolve o problema do efetivo, mas pode desafogar um pouco o trabalho. “Essa falta de pessoal acaba exigindo um esforço muito maior e não existe recompensa financeira por isso, apenas o acréscimo de responsabilidade. Tenho a expectativa de que, pelo menos dois (delegados) venham para cá”, revelou.

De acordo com o delegado Antônio Simião, que é presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná, para que a situação fosse amenizada no estado, seriam necessários concursos anuais com pelo menos 100 novas contratações em cada certame. “Atualmente temos 341 delegados na ativa para cobrir os 399 municípios do estado. Temos 220 municípios sem delegado e 70% das delegacias sem policial de carreira. É uma situação absurda, temos delegados assumindo até 10 municípios. Para as pequenas e médias cidades não resta praticamente nada, já que, dos 341 delegados do estado mais da metade estão na capital e RMC”, explicou.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança, mas não obteve retorno.

Sindipol aponta defasagem histórica de servidores

O déficit no quadro da Polícia Civil não se aplica apenas aos delegados, mas se estende também aos escrivães, investigadores e papiloscopistas. Quem afirma é o presidente do Sindicato da Polícia Civil de Londrina, investigador Eli Almeida de Souza.“Hoje, o Paraná precisava ter 14 mil servidores no mínimo. Nós temos em atividade 3.804 de servidores, é bem menos que a metade. Posso dizer que temos uma defasagem gigantesca no quadro da Polícia Civil, e isso se aplica a todos os cargos”, disse.Souza afirma que a sobrecarga de trabalho, além de prejudicar os resultados, tem feito os profissionais ficarem doentes.“Diante de tudo isso, você não consegue entregar o trabalho como deveria, não consegue fazer o que a população precisa que seja feito, se falta gente, você não consegue. Há uma sobrecarrega para quem está na ativa e aí vemos o número de doenças ocupacionais e o número de suicídios aumentando muitos nos últimos anos, principalmente no período pandêmico”, lamentou.