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Depoimento de falsa enfermeira revela esquema de fura-filas em Apucarana

DA REDAÇÃO

| Edição de 21 de maio de 2021 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembleia Legislativa do Paraná, que apura fraudes na vacinação da Covid no Estado, esteve ontem em Apucarana e ouviu a falsa enfermeira Silvânia Regina Ribeiro Del Conte, 46 anos, que está presa acusada de desviar doses da vacina e de imunizar uma família de sua intimidade. 

Em depoimento, ela revelou pelo menos mais 20 casos de fura-filas ocorridos no município, sob o comando do chefe da Divisão de Epidemiologia da Autarquia Municipal de Saúde, Luciano Pereira, que já foi afastado do cargo. Ele será ouvido hoje em sindicância instaurada pela administração municipal.
Existem também mais três denúncias graves envolvendo funcionários públicos surgidas no depoimento e que já estão sendo apuradas pela comissão.
O depoimento de Silvânia foi colhido, com ordem judicial, pelos integrantes da comissão, deputados Delegado Francischini (PSL), presidente, Delegado Jacovós (PL), vice, e Arilson Chiorato (PT), membro. “Já consultamos o prefeito Junior da Femac que, neste primeiro momento, apresentou uma série de documentos para a comissão sobre o esquema de vacinação em Apucarana”, disse Francischini em entrevista coletiva.
IRREGULARIDADES
Durante a oitiva realizada no Fórum Desembargador Clotário Portugal, Silvânia afirmou ter presenciado irregularidades durante os 15 dias em que atuou como voluntária no serviço de vacinação contra a Covid-19, no Complexo Esportivo José Antônio Basso, o Lagoão. A mulher denunciou que era comum a vacinação de pessoas fora do grupo prioritário, que na época era de 55 a 59 anos. Segundo ela, mais de 20 pessoas, com até 40 anos de idade, foram vacinadas no esquema comandado pelo chefe Luciano Pereira. Conforme revelou, até pessoas de Arapongas, com a indicação de Pereira, tentaram se vacinar em Apucarana, porém foi negado pelos profissionais de saúde que trabalham na vacinação.
Ainda segundo a depoente, os nomes de todas as pessoas vacinadas eram anotados em uma lista que deve ser analisada pela polícia e pelo Ministério Público para identificar as pessoas suspeitas de furarem a fila. 
Sobre o fato de estar trabalhando voluntariamente como técnica de enfermagem sem formação, ela disse que jamais foi questionada sobre isso. De acordo com o MP, ela foi admitida sem qualquer cuidado, já que não tem formação na área.