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Desconhecimento afasta doadores de medula

Vanuza Borges

| Edição de 04 de março de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A falta de conhecimento é o principal empecilho na hora de optar em ser um possível doador de medula óssea. Por mês, o Hemonúcleo de Apucarana, responsável por fazer a coleta na região e enviar para o laboratório de referência em Londrina, é procurado por cerca de 15 voluntários, que fazem o procedimento e ficam cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), considerado o terceiro maior banco de medula óssea do mundo. Apesar de não ter nenhum estudo que aponte um número ideal de doadores, a adesão maior da população significa menos tempo à espera de um doador compatível e maiores chances de recuperação.

Imagem ilustrativa da imagem Desconhecimento afasta doadores de medula

Um exemplo é o caso do apucaranense Rodrigo Sartini Braga, 29 anos, que desde 2013 luta contra a leucemia e precisa de doador compatível fora do âmbito familiar, uma vez que ninguém da família é compatível. Neste caso, a chance de encontrar alguém é e um a cada 100 mil. E Rodrigo conseguiu recentemente encontrar um doador compatível e irá fazer o transplante em abril. “Foi um alívio muito grande. O doador encontrado mora nos Estados Unidos. O material será enviado para o hospital aqui no Brasil”, revela a mãe Maria Elisa Sartini, após de mais de dois anos de procura.
Neste período, a família encampou na divulgação e conscientização sobre a importância de ser um doador de medula óssea. “Percebi ao conversar com os meus amigos que quase ninguém tinha informação sobre como é o procedimento de doação da medula óssea. As pessoas achavam que teriam que ir para o hospital e fazer a doação propriamente dita. Na verdade, só precisa doar menos de 5 ml de sangue, para fazer o cadastro”, explica a estudante de veterinária Isadora Sartini Andrade, prima de Rodrigo.
Na avaliação da estudante, a conscientização faz toda a diferença na vida de quem espera por uma chance de viver. “Enquanto não acontece na família ou com alguém conhecido, não temos noção da importância desse gesto. E não fiz isso somente pelo Rodrigo, porque não sou compatível com ele, mas para alguém que um dia venha precisar”, diz.
A diretora do Hemonúcleo de Apucarana, Claudete Omotto frisa justamente esse ponto. “Quem doa, durante uma campanha, precisa ter a consciência que pode ser compatível com outra pessoa e não necessariamente com aquela que motivou fazer a doação”, diz.
Desde o início da implantação do serviço na unidade, há cerca de sete anos, Claudete revela que 9 mil pessoas fizeram o cadastro para serem doadoras de medula óssea.
Sobre o número de doadores, Claudete avalia que a adesão é positiva da população e tem aumentado. Para ter uma noção, em 2000, haviam 12 mil inscritos no Redome. Atualmente são 4 milhões. A chance de se identificar um doador compatível, no Brasil, na fase preliminar da busca é de até 88%, e ao final do processo, 64% dos pacientes têm um doador compatível confirmado.
Todo mundo pode ajudar. Para isso é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade, estar em bom estado de saúde.