O despejo de resíduos industriais em áreas verdes e fundos de vale ainda é um problema considerado grave em Apucarana. As facções e fábricas de confecções são as maiores poluidoras na cidade, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Restos de produção, como retalhos e tintas, são encontrados com frequência em locais inapropriados.
Segundo o secretário do Meio Ambiente, Sérgio Bobig, pelo menos 10 flagrantes de descarte incorreto de lixo industrial foram registrados no ano passado. No entanto, o número de ocorrências é bem maior. “É difícil mensurar a quantidade de resíduos despejada irregularmente”, admite.
Bobig assinala que os locais mais procurados para eliminar os restos de produção são a região do Parque Ecológico da Raposa, Vale D’água e no Jardim Interlagos.
Entre os produtos descartados nestes locais estão tecidos, silk – tinta usada para estampar roupas e bonés – fio, poliéster, entre outros. “O silk, por exemplo, contamina o solo e a água. Ele tem que ter o destino correto, assim como os outros materiais”, explica. O secretário cita a empresa Terra Norte – Engenharia Ambiental, que encaminha os resíduos para destinação correta. Para Bobig, a separação dos produtos antes do descarte é essencial nas indústrias. “Desta forma, é possível reciclar ou até mesmo reutilizar alguns materiais”, explica.
O secretário diz que as empresas devem apresentar o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), documento técnico que identifica a tipologia e a quantidade de geração de cada tipo de resíduos, além de fazer a renovação do alvará. “São as únicas formas que temos de fiscalizar essas indústrias, porque os flagrantes dependem de denúncias”, conta.
O coordenador do Arranjo Produtivo Local (APL) de Bonés de Apucarana, Jayme Leonel, admite que o descarte incorreto de resíduos da indústria é preocupante. “O vestuário é um mercado dinâmico, ou seja, sempre surgem empresas informais, que abrem e fecham rapidamente, e que se preocupam menos, não generalizando, com o meio ambiente. As indústrias formais são mais preocupadas com esse assunto”, acrescenta.
RECICLAGEM
Desde 2009, o empresário César Calomeno, de Apucarana, vem desenvolvendo um trabalho de reciclagem de fibras têxteis com ajuda do filho, o químico industrial Wellington Calomeno. Ele é dono também de uma empresa de bonés e percebeu a necessidade de descartar corretamente o que sobrava da produção. “Criei essa empresa, primeiramente, por preocupação com o meio ambiente”, explica.
César recebe por mês, em média, 100 toneladas de resíduos, a maioria algodão. “Cobro R$ 7 o saco de 100 litros de resíduos, que é um preço irrisório, que me ajuda a bancar o custo do que utilizo dentro do barracão e de seis funcionários”, conta. Um dos destinos finais do algodão é a estopa, utilizada para o polimento de automóveis e para outros fins automobilísticos.