O Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale) lança no próximo sábado (4) um documentário sobre os 50 anos do início da fabricação de bonés em Apucarana. O material, que também marcará os 35 anos do Sivale, será apresentado durante jantar comemorativo no Clube de Campo Água Azul.
Com entrevistas de pioneiros do setor e imagens antigas, o documentário resgata a história de como a cidade se tornou a Capital do Boné. “Pela primeira vez, foi reunido em um só lugar os pioneiros do setor para um bate-papo, onde eles contam onde começou a primeira fábrica de boné, como foi produzida a primeira peça, como surgiu a Capital do Boné e tantas outras curiosidades. É um material rico, que ficará para as futuras gerações”, ressalta a presidente do Sivale, Elizabete Ardigo.
As entrevistas do documentário foram gravadas em dezembro. Neste ano começou a busca por imagens antigas que pudessem ilustrar um pouco da história.
“Percebemos que existe um acervo limitado. Tínhamos um museu, que acabou se perdendo. Contamos agora com acervos particulares de fotos e imagens de vídeo da época. Por isso, este documentário é tão importante”, reforça Bete.
O empresário Antônio Carlos Macarrão Machado, que atua no setor de bonés desde 1987, é um dos guardiões da memória do boné na cidade. Ele mantém um acervo particular com reportagens de jornais, fotos e filmagens antigas, além de itens de colecionador, como um boné do Banco Nacional utilizado pelo piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, morto em 1994, que foi fabricado em Apucarana.
Macarrão, que incorporou o apelido ao nome, cedeu parte de seu acervo para o documentário. Ele foi diretor de marketing e comércio exterior da Cotton’s, uma das empresas pioneiras do boné em Apucarana, e acompanhou de perto a evolução da produção no município. “A trajetória do boné em Apucarana se confunde com a própria história de Apucarana. É uma verdadeira saga iniciada pelos primeiros empresários. Dos períodos econômicos de Apucarana ao longo da sua formação, do café, dos cereais ao couro, o boné tem uma das trajetórias mais longevas”, diz.
O setor de confecções, que começou com o boné há 50 anos, reúne atualmente 2,2 mil empresas que geram cerca de 10 mil empregos diretos e outros 10 mil indiretos. Mensalmente, segundo dados do Sivale, são confeccionados cerca de 4 milhões de bonés na cidade, metade da produção nacional. (FERNANDO KLEIN)