Dois latrocínios foram registrados em menos de 24 horas em Apucarana. A situação mais recente aconteceu ontem no início da tarde após assalto a uma residência localizada dentro do Parque das Araucárias, região norte da cidade. A vítima, um operário que trabalhava em uma indústria próxima, morreu ao tentar ajudar as moradoras, que gritaram por socorro. O outro caso aconteceu na noite de anteontem numa chácara na Vila Reis. O caseiro Paulo Neves de Souza, de 38 anos, foi assassinado, por volta das 22h30, após trocar tiros com os bandidos.
O operário Aparecido Rufino da Silva, de 47 anos, foi baleado por volta das 14 horas, quando saiu para atender o pedido de socorro de moradoras, que tiveram a casa invadida por quatro criminosos armados. “Eu gritei por socorro bem alto”, revela Bruna Rafaela Humenhok, de 19 anos. O pedido aconteceu segundos antes dos assaltantes arrombarem a porta da cozinha.
Após arrombar a porta, os quatro assaltantes, sendo três encapuzados e todos armados, entraram na casa e pediram por dinheiro. “Queriam dinheiro, mas não tínhamos dinheiro nenhum em casa. Eles diziam que sabiam que o meu marido havia recebido o pagamento e, caso não dessem o dinheiro, voltariam”, relata Bruna. Da residência, segundo a jovem, levaram o cordão de ouro que ela tinha ganhado aos 15 anos e o celular da sogra. “Ficaram cerca de 10 minutos dentro de casa”, calcula. Neste intervalo, os funcionários da fábrica ao lado saíram para ver o que estava acontecendo.
Silva, de acordo com a outra moradora, a dona de casa Luzinete Ferreira de Oliveira, foi atingido por um disparo quando os bandidos estavam deixando a residência. “Saíram atirando. Ouvi mais de sete tiros”, afirma. A vítima chegou a ser socorrida por uma equipe do Samu, mas morreu ainda no local.
Conforme Luzinete, Cindinho, como era mais conhecido, teria confrontado um dos criminosos. “Eu ouvi que ele gritou com um dos assaltantes”, conta. Na sequência, ainda segundo Luzinete, a vítima e um dos criminosos entraram em luta corporal. Neste momento, ele foi atingido. O filho da vítima, que trabalhava com o pai na mesma fábrica, presenciou o crime. Os criminosos fugiram por uma trilha aberta no parque, que dá acesso a vários bairros da região.
Um dos colegas de Cidinho, Carlos Biral, 50 anos, comenta que de manhã passou pela trilha, que usa regularmente para ir ao trabalho, e viu quatro rapazes. “Eu achei estranho e avisei as moradoras para ficarem alerta e, infelizmente, agora à tarde aconteceu isso”, diz.
SUSPEITOS
Ontem à tarde, em patrulhamento no Residencial Cidade Educação, quatro jovens em atitude suspeitos, que fugiram após de uma viatura da polícia, foram detidos e encaminhados para a sede da 17ª Subdivisão Policial (SDP), de Apucarana. Os supeitos, um homem de 30 anos e três adolescentes com idades entre 15 e 17 anos, entretanto não foram reconhecidos pelas vítimas.
“As vítimas não reconheceram, mas isso não impede o andamento da investigação. Nos próximos dias vamos ouvir todas as testemunhas. Acreditamos que os assaltantes conheciam bem a região tanto é que usaram a trilhar para fugir”, diz o delegado-adjunto
Imagens de câmeras de segurança de casas ao lado também serão usadas pela investigação.
Caseiro foi morto em propriedade na Vila Reis
A Polícia Civil também investiga o assassinato de Paulo Neves de Souza, de 38 anos, que ocorreu anteontem à noite dentro de uma propriedade rural na Vila Reis. O assassinato também é tratado como latrocínio.
De acordo com a Polícia Militar, a esposa da vítima ouviu os disparos de arma de fogo e acionou a viatura. Com medo, ela não saiu de casa até a chegada da polícia. Foram os policiais que encontraram o corpo de Souza, durante buscas na propriedade. O corpo foi encontrado atrás de um barracão.
O caseiro tinha um revólver calibre 38, que foi encontrado junto ao corpo o que reforça a suspeita de que Souza tenha reagido a um assalto.
A propriedade onde ocorreu o crime, já foi alvo de furtos neste ano. Na ocasião, cavalos foram levados da propriedade. “As informações preliminares apontam que se trata de um latrocínio”, avalia o delegado-adjunto Marcos Felipe da Rocha Rodrigues. Ontem de manhã uma equipe da Polícia Civil esteve na chácara para periciar o local.