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Donativos garantem Natal solidário

Vanuza Borges

| Edição de 13 de dezembro de 2015 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Ao invés de fazer a tradicional lista da ceia ou pesquisar novas receitas para incrementar o cardápio natalino da família, cerca de 80 voluntários da Associação Sagrada Família, de Arapongas, buscam donativos para realizar um almoço especial de Natal para cerca de 500 pessoas carentes, em especial, moradores de rua. Para o almoço, que é realizado há oito anos no dia de Natal, será preparado, como de costume, arroz à grega, macarronada, carnes assadas, vários tipos de saladas e sobremesa, que tradicionalmente é bolo com sorvete. Porém, a duas semanas da data, a associação não tem o suficiente para cem pessoas.

Imagem ilustrativa da imagem Donativos garantem Natal solidário

Até o momento, a Sagrada Família recebeu 7 pacotes de arroz, 2 litros de óleo de soja, 9 pacotes de molho de tomate, 34 pacotes de macarrão e 12 refrigerantes. Os inúmeros, no entanto, não preocupam os voluntários que acreditam na força do voluntariado para realizar a ação solidária. O coordenador de Marketing da Sagrada Família, Danilo Pavezi, que já participou seis anos como voluntário, acredita que assim, como nos anos anteriores, os donativos vão deixar o almoxarifado abarrotado nos últimos dias.

“O que sobra dos donativos do Natal Solidário, ao final, é entregue para as famílias que vem confraternizar o Natal aqui”, afirma. O almoço acontecerá no Salão da Igreja Vila Aparecida.

Ainda de acordo com ele, várias empresas já entraram em contato e estão fazendo campanha de arrecadação de alimentos e brinquedos com funcionários e fornecedores. “Antes ficávamos preocupados, mas agora nós sabemos que podemos confiar na solidariedade das pessoas. Aliás, muitas pessoas gostam de ajudar o próximo”, avalia.

Além do almoço especial de Natal, a Associação Sagrada Família também entrega brinquedos para cerca de 500 crianças na mesma data. “Além das crianças que vêm com as famílias almoçar com a gente, entregamos para as que moram no bairro”, diz. Todos os brinquedos entregues são novos. Até o momento chegaram até a instituição 21 brinquedos, sendo nove bonecas.

Além do Natal Solidário, a entidade beneficente realiza cerca de 15 ações solidárias diariamente, que vai desde oração a entrega de cestas de verduras, legumes e frutas para 510 famílias carentes. As entregas são realizadas de acordo com a necessidade das famílias, explica a nutricionista Érica Nonis Martinez, que trabalha no Centro de Reciclagem Sagrada Família. “Antes de enviarmos as caixas, que pesam, em média, 12 quilos, verificamos se aquela casa tem criança, pessoa diabética ou em tratamento contra o câncer”, esclarece.

Por mês, em média, no centro de reciclagem chegam 29 mil quilos de frutas, legumes e verduras, que são separados e entregues para as famílias. E mais uma vez, o voluntariado faz toda a diferença, segundo a nutricionista. “Somos em cinco funcionários e cinco voluntários. A participação dos voluntários faz toda a diferença”, avalia.

Solidariedade é ‘regra’ o

ano inteiro na entidade

A Associação Sagrada Família, fundada há mais de dez anos pela missionária Vera Casagrande, vive basicamente de doações e do trabalho de voluntários. Um exemplo é a educadora Cely da Silva, 51 anos, que trabalha deste 2007 nos preparativos do almoço de Natal, além de participar de outras ações diariamente da entidade. “Eu atendo na Casa de Oração toda tarde. No dia que não estou na escola, estou aqui”, diz.

Ao ajudar nos preparativos, a educadora abre mão de passar o Natal com a sua família, mas isso não é problema. “Um dia, eu me questionei sobre isso e senti bem forte no meu coração que esta era a minha família. Esses eram também os meus irmãos. A partir deste dia, eu não tive mais dúvida, porque o Natal para mim é servir Jesus no irmão”, define.

Outra voluntária que faz questão de ajudar também no almoço de Natal é a aposentada Dercilis Yamaguchi, 63. “Eu amo ser voluntária. Faço isso há 12 anos. Geralmente, eu ajudo no Grupo de Oração e também no ateliê, sempre das 13h às 17 horas, de segunda a sexta-feira. Precisando, eu estou disponível”, garante.

Já Margarida Bacarin, 70, ajuda no centro de reciclagem de alimentos há sete anos. Por dia, em média, ela trabalha seis horas. “É muito bom vir aqui e saber que está ajudando alguém que precisa”, diz.