Os investimentos feitos pela iniciativa privada nas rodovias dentro do programa de concessões do governo do estado impactam positivamente no bolso dos paranaenses de modo muito mais contundente do que se imagina. Além de aumentar a segurança, diminuir o tempo de viagens e reduzir acidentes e problemas mecânicos nos veículos, há também uma influência direta no custo final de mercadorias que são transportadas por estas vias. A duplicação da BR-376, que está sendo feita pela CCR RodoNorte, é uma das mais fundamentais obras para a logística de mercadorias que passam pelo nosso estado, principalmente com o objetivo de chegar ao porto de Paranaguá.
Ao todo, 61% de tudo o que é comercializado no país passa pelas rodovias, aponta levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Esse volume de produtos é destinado tanto para suprir a demanda local quanto para a exportação. A localização geográfica estratégica do Paraná faz com que muitos desses produtos sejam escoados pelas rodovias locais, sobretudo pela BR-376, a Rodovia do Café.
Por isso, a duplicação desta via é fundamental. O atual trecho em obras separa Apucarana e Ponta Grossa. Hoje, sete frentes trabalham para finalizar a obra até 2021, data em que acaba o contrato de concessão da rodovia. Vários trechos já foram entregues, como a ligação entre Apucarana e Califórnia, o entroncamento na entrada de Apucarana e também trechos no município pontagrossense.
TRANSPORTE X CUSTO FINAL
Danilo Lemos Freire, coordenador do curso de Logística da Faculdade do Norte Novo de Apucarana (Facnopar), afirma que a duplicação da Rodovia do Café é extremamente importante para o mercado.
“O custo final de uma mercadoria é calculado através de uma série de fatores. Um dos que mais pesam no custo final é o transporte. Com a duplicação da rodovia BR-376, a tendência é de que os valores empregados no transporte caiam, o que pode impactar positivamente no valor final dos produtos”.
Ele ressalta que uma rodovia duplicada faz com que o fluxo da via aumente. “Isto reduz o tempo de viagem significativamente. Uma rodovia de qualidade também diminui os gastos mecânicos. Tudo isso faz com que empresas de logística e transporte se tornem mais competitivas, já que elas têm a eficiência aumentada”.
Competitividade do PR depende da obra
A concessão das rodovias federais do Paraná à iniciativa privada aconteceu em 1996. Na época, o estado, juntamente com Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, foi o pioneiro no país. Ao longo do tempo, esta medida se provou essencial para manter a competitividade do estado. Sem a concessão, o país poderia ter perdido relevância, como afirma Danilo Lemos.
“Existe um movimento de criação de uma nova rota rodoviária ligando os estados do Centro-Oeste ao litoral sem passar pelo Paraná. Se isto acontecer, perderemos muito. Por isso, a duplicação é essencial para manter esse tráfego passando pelo nosso estado, fidelizando os motoristas, e também para aumentar o fluxo, trazendo mais riqueza ao Paraná”, destaca.
Por conta do porto de Paranaguá, os estados do Centro-Oeste, sobretudo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, utilizam as estradas paranaenses para escoar suas produções agrícolas.
O coordenador do curso de Logística da Facnopar lembra ainda que há toda uma estrutura de mercado estabelecida ao longo da rodovia. “Não podemos nos esquecer dos representantes comerciais, que usam muito a BR-376 para comercializar seus produtos e entrar em contato com os clientes. Um custo menor no trabalho desses profissionais também se reflete em valor final de produto menor”, diz.
Outro ponto importante é a dinâmica logística de estoques, que poderá sofrer alterações. “Com o fluxo mais ágil de mercadorias através da rodovia duplicada, os investimentos em estoques de produtos poderão ser reduzidos, favorecendo o empresário”, diz Lemos.
Investimento em infraestrutura
O setor de logística é um dos principais indutores do desenvolvimento econômico brasileiro. Entretanto, ainda carece muito de investimentos. Segundo dados da Associação Brasileira de Logística (Abralog), historicamente, o país investe cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, quando os recursos deveriam corresponder a, no mínimo, 5% do PIB. Estamos muito atrás da China, que destina mais de 7% do seu PIB para o setor, e mesmo de outros países latino-americanos, como o Chile, cujos investimentos chegam a 6%.
Esta necessidade do aumento de investimentos é superada no Paraná por conta da concessão das rodovias. Em 20 anos, só a CCR RodoNorte investiu mais de R$ 2,6 bilhões. A expectativa para os próximos quatro anos são altas: deverão ser investidos mais R$ 1,1 bilhão.