Na última semana, após anunciar que o Programa Minha Casa, Minha Vida seria suspenso, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, voltou atrás e disse que o programa está mantido, podendo ser inclusive ampliado. O fato é que, mesmo antes das mudanças no Governo Federal motivadas pelo afastamento de Dilma Rousseff, o programa já vinha sofrendo cortes. O clima de desconfiança afeta praticamente todos os novos empreendimentos, inclusive os que estão previstos para a região de Apucarana, colocando as construtoras e empreiteiras em regime de apreensão.
A Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) lida atualmente com projetos habitacionais vinculados ao Minha Casa, Minha Vida em 14 municípios da região. São ao todo mais de 900 novas moradias, a um custo total de R$ 57,7 milhões. Todos esses empreendimentos estão em processo de licitação ou foram recém-licitados. A soma não inclui os projetos de construtoras particulares.
Cidnei Aparecido Araújo, consultor imobiliário de uma construtora de Apucarana, explica que os cortes já vêm desde o ano passado. “Iríamos lançar dois novos blocos de apartamentos em Apucarana e outros 15 em Arapongas, mas tivemos que abortar. O governo tem dificultado a aprovação de crédito ao consumidor como uma forma de tentar ‘frear’ o programa”, ressalta.
Segundo ele, essa prática acaba se refletindo em toda a sociedade. “Antes, tivemos um ‘boom’ na construção civil. Hoje, há muito desemprego. É constante o fluxo de pessoas procurando emprego aqui na empresa. Mercado para a construção civil existe, já que o déficit habitacional ainda é grande, mas essa situação acaba dificultando novos empreendimentos”, avalia.
O proprietário de uma construtora também de Apucarana, José Herculano Ferreira, afirma que um empreendimento de 280 apartamentos acaba de receber o ‘sinal verde’ da Caixa Econômica Federal (CEF), órgão do governo responsável por liberar recursos para as empresas do Minha Casa, Minha Vida. Porém, mesmo com a liberação da Caixa, ele ainda se mostra cauteloso.
“Entre liberar e efetivamente tirar do papel o empreendimento há uma grande diferença”, conta ele. “Após a troca de governo, um dos primeiros pronunciamentos foi a respeito de cortes no programa. Então ficamos nessa incógnita, nessa insegurança. A situação do país não está favorável para novos empreendimentos”, diz Herculano.