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É preciso falar sobre o suicídio

Renan Vallim

| Edição de 11 de setembro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Assunto tabu, o suicídio é um problema de saúde pública crescente. Falar sobre o assunto e colocar os problemas emocionais em pauta são a principal são mote da campanha Setembro Amarelo. De acordo com dados da 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana, entre janeiro e julho de 2015 foram registrados 16 óbitos por suicídio na região. No mesmo período deste ano, o número subiu para 18, um aumento 12,5%.

A maior alta foi na faixa etária entre 30 e 39 anos, que em 2015 não teve registros. Neste ano foram três casos.

A maioria das vítimas de suicídio estão entre 40 e 49 anos, respondendo por 33% dos casos. Em seguida, estão as pessoas entre 50 e 59 anos, com 16%, mesmo índice da população entre 30 e 39 anos.

Ao longo do mês, a 16ª RS fará eventos junto às equipes de saúde de todos os municípios da região. Além disso, material informativo está sendo distribuído com o intuito de conscientizar as pessoas. “A conscientização é o ponto mais importante da campanha. O suicídio é uma questão muito séria e delicada, que precisa ser discutida”, afirma Clara Lemes de Oliveira, chefe da 16ª RS.

“As pesquisas mais recentes mostram que quase 100% dos casos de suicídio estão ligados a pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno como depressão, transtorno bipolar, entre outros. Mas é preciso levar em consideração que cada pessoa tem suas questões, tem sua dor emocional, tem suas perdas. Ou seja, não há uma lista motivos estabelecidos que levam ao suicídio, mas sim pessoas mais ou menos dispostas a realizá-lo”, explica a psicóloga apucaranense Flávia Sabóia.

Segundo ela, é possível identificar características no comportamento das pessoas que podem significar uma propensão ao suicídio. Frases do tipo “eu queria sumir”, “não aguento mais” ou “eu queria morrer” são fortes indícios e sinais de alerta para quem convive com essas pessoas.

Mas o maior sinal é a depressão, que pode aparecer associada ao abuso de álcool ou drogas. “A pessoa que perdeu o interesse pela própria vida, pela vida dos outros e que não vê mais motivos para continuar vivendo apresenta um sinal forte de alerta”, ressalta a psicóloga.

É importante salientar ainda que mudanças e traumas, como o final de um relacionamento, a perda de emprego, uma perda grande de bens materiais ou falência, podem levar as pessoas a um estado de depressão. Pessoas que já tentaram suicídio alguma vez também merecem atenção, pois há a chance de tentarem novamente.

“Caso algumas dessas características sejam identificadas, é essencial conversar com a pessoa e não a deixar sozinha. Ao conversar, é mais importante ouvir do que falar. Essa pessoa também deve ser imediatamente acompanhada por um psicólogo”, ressalta Flávia.

No entanto, segundo ela, pensamentos suicidas podem se transformar em uma oportunidade de mudança, por mais traumático que seja a situação.

“Através da análise, o paciente entra em um processo de individualização, de olhar para si próprio. Com isso, ele consegue se desenvolver e identificar que o modo de ver e viver a vida precisam mudar. Ele adquire um novo olhar para vida e para os seus acontecimentos. O importante é lidar com certas questões e entender que são elas que precisam ‘morrer’ dentro dele”.

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