Aprender Braille se tornou mais prazeroso e acessível para a estudante Maria Gabriela da Silva Tebaldi, de 9 anos, que nasceu com deficiência visual. Há cerca de um ano, ela conta com o apoio de professoras especializadas no sistema de escrita e leitura para cegos durante as aulas integrais na Escola Municipal Augusto Weyand, localizada no Jardim Tibagi, em Apucarana.
A unidade em que Maria estuda é umas das sessenta que integram o Centro de Apoio Multiprofissional Escolar (Came), órgão da Autarquia Municipal de Apucarana, que auxilia no processo de inclusão de 500 crianças com necessidades educacionais especiais, dentro das etapas de Educação Infantil e Ensino Fundamental.
Para Maria Gabriela, que chegou a frequentar outra escola, diz que com as professoras de apoio, ficou mais fácil aprender Braille. “Eu gosto de estudar aqui. Ficou mais fácil com a ajuda da professora”, explica. Os pais da estudante, o autônomo Rodrigo Tebaldi e a dona de casa Maria de Lourdes Tebaldi, também estão animados com a nova etapa na vida da filha. “Somos gratos por tudo que a escola e as professoras vêm fazendo pela Maria. Ela está mais comunicativa”, garante o pai.
Uma das professoras de Maria, Lucinei de Fátima Belonci, especialista em Braille há quase três anos, conta que o trabalho é voltado não apenas para a criança aprender o conteúdo proposto mas para desenvolver toda a percepção tátil e mobilidade, enfim, uma educação para adaptação na escola. “Ela precisa se locomover sozinha e ser o mais independente possível”, explica. Em sala de aula, Lucinei, além de auxiliar com a matéria pedagógica, ensina o pré-requisito do Braille. “Ela está começando ainda. A Maria teve uma fase de negação da deficiência, mas agora estamos indo bem”, revela.
Assim como para Maria Gabriela, a estudante surda Natacha Martins da Silva, de 10 anos, também conta com o apoio de professoras especializadas em Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Inclusive, uma delas também é surda e ex-aluna da Escola Municipal Augusto Weyand. Com ajuda da professora de apoio Juliana Teixeira, Natacha comenta que gosta de estudar na escola.
A intérprete Juliana, que auxilia Natacha há dois meses, adapta toda a matéria pedagógica para a estudante. “Meu trabalho é fazer com que ela aprenda tudo o que a professora passa durante a aula”, ressalta.
Centro atua com profissionais de várias áreas
Há quatro anos, o Centro de Apoio Multiprofissional Escolar (Came) desenvolve trabalhos voltados para o diagnóstico, prevenção, orientação, assistência e acompanhamento à comunidade escolar, auxiliando na oferta de uma educação plena e de qualidade.
Segundo a coordenadora geral do Came, Léia Sofia Viale, o centro conta hoje com 42 professores em solo e 28 estagiários na Rede Municipal de Ensino. Os profissionais atendem crianças com autismo, deficiência neurofísica motora, cadeirante, esquizofrenia, síndrome de Down, deficiência visual, auditiva, dislexia, entre outros.
Para avaliar cada caso, Léia diz que profissionais itinerantes visitam semanalmente as escolas e conversam com os professores. “Assim que o professor percebe alguma dificuldade de aprendizado o aluno é encaminhado para a avaliação”, reforça.
Caso não tenha outro aluno especial dentro de sala de aula, Léia diz que o professor de apoio faz um acompanhamento individual. Além do apoio na questão pedagógica, o Came tem uma proposta de apoio em outras áreas. Após a avaliação, segundo Léia, se o aluno for diagnosticado e precisar, ele terá acompanhamento de psicólogo, fonoaudiólogo ou qualquer outro profissional da área da saúde. O centro de apoio, de acordo com Léia, tem parceria com o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps).
Envolvimento de todos
A partir das experiências adquiridas com a inclusão dos alunos especiais, o Came desenvolve outros projetos. Um deles é o Aprendendo Braille, que foi formatado a partir das necessidades da aluna cega Maria Gabriela Tebaldi. Toda a Escola Municipal Augusto Weyand está sendo mapeada com orientações em braile de forma que a aluna não fique restrita a sua sala de aula e todos os alunos participam do processo e do aprendizado.
Como a escola tem 11 alunos surdos, a Língua Brasileira de Sinais virou matéria para todos os estudantes. “Os outros alunos têm que aprender a ver com naturalidade o colega especial”, diz a secretária de Educação, Marli Regina Fernandes da Silva.
A secretária comenta estar satisfeita com o andamento do Came. “Vamos trabalhar no que a criança tem a oferecer e faz adaptação de acordo com a potencialidade do aluno. Conseguimos colocar num ritmo de um excelente atendimento”, comemora Marli. Além disso, alunos, professores e funcionários das escolas também fazem aulas de Libras para atender os alunos com deficiência auditiva.