A eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para presidente do Brasil, ocorrida no último domingo (28), já agita o mercado de armamentos na região. Uma das promessas de campanha do próximo mandatário do país foi facilitar a aquisição de armas de fogo, fazendo crescer a expectativa de empresas que lidam com o produto. Algumas esperam uma procura duas vezes maior do que a atual.
Nilsa Christ, dona de uma loja de artigos esportivos e armamento, afirma que a procura já aumentou. “Tem muita gente ligando e perguntando sobre a aquisição de armas. A primeira consulta foi no próprio domingo, dia do segundo turno das eleições. Tem muita gente interessada sobre como comprar, o que é necessário, quais os trâmites etc. As ligações aumentaram bastante”.
No entanto, ela diz que esta espécie de euforia inicial não deve se transformar em vendas a curto ou médio prazo. “Mesmo que o Estatuto do Desarmamento seja modificado, como prometeu Bolsonaro, acho que o movimento não deve aumentar. O valor de uma arma é bem alto, não é qualquer pessoa que pode adquirir. Do jeito que está a situação financeira do brasileiro, não acho que vai mudar muita coisa”.
Em média, o preço de revólveres vai de R$ 3,2 mil a R$ 4,5 mil. Pistolas custam de R$ 4,8 mil a R$ 6,1 mil. Já espingardas vão de R$ 1,1 mil a R$ 10 mil. Atualmente, a grande maioria dos compradores são proprietários rurais. Em média, uma a duas armas são comercializadas por semana no estabelecimento.
Em Arapongas, Itamar Araújo tem expectativas mais altas com relação à popularização das armas de fogo. Proprietário de um clube de tiro, ele acredita que o movimento deverá pelo menos dobrar em caso de fim do Estatuto do Desarmamento. “A facilidade de acesso a armas deverá aumentar a procura com certeza. Se o porte de armas também for modificado, acreditamos que um curso, dado por clubes e escolas de tiro, deverá ser exigido, o que aumentará ainda mais o número de interessados”, diz.
Segundo ele, o estabelecimento tem hoje cerca de 150 filiados, que utilizam as próprias armas ou as fornecidas pelo clube para atirar em alvos, dentro de um ambiente controlado e seguindo normas de segurança.
Só podem participar do clube maiores de 18 anos sem antecedentes criminais, com endereço fixo e ocupação lícita comprovada.
Estatuto deve ser modificado
Aprovado em dezembro de 2003, o Estatuto do Desarmamento limitou a posse de armas no país, impondo regras para a aquisição. De acordo com a lei, é preciso ser maior de 25 anos, ter ocupação lícita e residência certa, não ter sido condenado ou responder a inquérito ou processo criminal, comprovar a capacidade técnica e psicológica para o uso do equipamento e declarar a efetiva necessidade da arma.
A necessidade é avaliada pela Polícia Federal (PF), que pode recusar o registro se considerar que o cidadão não precisa da arma de fato. A posse de armas permite que o proprietário adquira e mantenha a arma dentro de casa. Durante a campanha, Jair Bolsonaro prometeu revogar o estatuto, dispensando a avaliação da PF e reduzindo para 21 anos a idade mínima. Para fazer isso, porém, é necessária aprovação do Congresso.
Já o registro de porte permite que ao proprietário transportar e carregar a arma consigo, fora de casa ou do local de trabalho. Hoje, o porte é proibido para os cidadãos brasileiros, exceto para membros das Forças Armadas, polícias, guardas, agentes penitenciários e empresas de segurança privada, entre outros. Em entrevistas recentes, Bolsonaro disse que deve ‘flexibilizar’ as regras para o porte de armas, sem dar mais detalhes.