Resultado da queda nas compras de veículos zero quilômetro nas concessionárias, o número de emplacamentos nas principais cidades da região caiu em média 25,9% em 2015, na comparação com o ano anterior. Estabelecimentos divergem sobre expectativas com relação a esse ano, sendo a safra recorde esperada para 2016 uma das esperanças do setor para alavancar vendas. Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito do Paraná (Detran-PR).
No somatório de Apucarana, Arapongas e Ivaiporã, o ano de 2014 registrou ao todo 5.810 emplacamentos, ou seja, registros de primeira compra de veículos. Já em 2015, esse número caiu para 4.303, redução de 25,9%, o que representa pouco mais de 1,5 mil veículos. A maior queda foi em Arapongas. No ano de 2014, a cidade registrou 2.605 emplacamentos. Já ao longo de 2015, a quantidade ficou em 1.919 novos veículos, queda de 26,3%.
Apucarana teve redução próxima, com -26,1%. A cidade registrou 2.591 novos emplacamentos em 2014. Já no ano seguinte, foram 1.914. Em Ivaiporã, a redução foi menor. Se em 2014, os primeiros emplacamentos somaram 614 na cidade, em 2015 eles ficaram em 470, queda de 23,5%.
Proprietário de uma rede de concessionárias na região, Armando Boscardin explica que a expectativa é ainda menor do que a do ano passado. “Tomamos como base a comparação entre janeiro do ano passado e o mesmo mês deste ano. No ano passado, com o retorno de alguns impostos e o consequente aumento dos preços, houve um volume alto de vendas por conta dos veículos em estoque com valores ainda de 2014. Neste ano, não tivemos isso”, diz.
Segundo ele, o setor deve igualar o desempenho registrado em 2008. Mas a característica agrícola da região pode se tornar um trunfo. “A nossa esperança para o ano é a expectativa de safra recorde, que pode injetar dinheiro na economia local e impulsionar as vendas. Mas, no geral, a tendência é que os preços continuem subindo, sobretudo os carros importados”, afirma.
Por outro lado, Luiz Carlos Balan, gerente de outra rede de concessionárias da região, acredita que este ano pode apresentar melhora em comparação com o ano passado. “Nas nossas concessionárias, o ano começou melhor. Janeiro foi um mês de boas vendas e fevereiro vem seguindo essa tendência. Estamos com a esperança maior do que no ano passado”.
Segundo ele, a crise está atrapalhando o setor, mas o problema não é econômico. “A crise é mais política do que econômica. Muita gente, com essa instabilidade política, acaba se sentindo receoso em investir. Acredito que boas medidas políticas poderiam ajudar não só o setor, mas o país como um todo”, ressalta.