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Empreendimentos crescem 16% ‘puxados’ pela descentralização

Fernando Klein

| Edição de 22 de agosto de 2022 | Atualizado em 22 de agosto de 2022
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‘puxados’ pela descentralização

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Com a pandemia de covid-19, Nubia Pereira Celestino fechou o salão de beleza na área central de Apucarana. Há dois meses, ela retomou o negócio, mas, desta vez, optou por inaugurar o empreendimento na Avenida Central do Paraná, na região do Jardim Trabalhista, zona norte da cidade. Nubia não é a única. Há um movimento de descentralização do comércio, que ganhou força com a pandemia. 

Entre janeiro e julho, a Prefeitura de Apucarana registrou a abertura de 2.150 empresas, entre microempreendedores individuais e empreendimentos de pequeno e médio portes. O número é 16% maior na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram 1.852 alvarás comerciais concedidos pelo município. 

O levantamento, feito pela Secretaria de Fazenda da Prefeitura de Apucarana a pedido da reportagem, confirma esse panorama de descentralização. Das 2.150 empresas de janeiro a julho, 85% estão nos bairros, distritos ou zona rural. São apenas 315 no centro, enquanto 1.835 estão distribuídas pela cidade. 

São empreendimentos espalhados em dezenas de bairros, com destaque para o Residencial Interlagos (82), Núcleo João Paulo I (78), Jardim Ponta Grossa (77) e Jardim Apucarana (53), entre outros. 

“Quando a cliente gosta do seu serviço, ela vai até você. Aqui, é praticamente um novo centro comercial. Além disso, é mais perto da minha casa”, explica Nubia Pereira Celestino. Ela destaca que a região do Jardim Ponta Grossa está crescendo, diversificando os negócios e os empreendimentos. 

Luciana Costa Alves Alamao tem um estabelecimento especializado em salgados também na Avenida Central do Paraná. Há oito meses no ponto, ela comemora as vendas. “A avenida está sempre movimentada. Aqui vai crescer, vão construir muitos barracões ainda”, afirma, observando que atuava como costureira e decidiu investir na área de alimentação. “Já trabalhava em Jundiaí, São Paulo, com esse ramo e decidi retomar em Apucarana agora depois de passar pelo setor de confecções”, diz. 

De olho no movimento da avenida, Aparecida Pereira da Silva decidiu montar uma loja de roupas novas e seminovas em frente a um imóvel da família. “O movimento é grande. Estou satisfeita”, diz. Ela tem uma facção de costura, mas pretende mudar para o ramo de varejo.

Fenômeno ganhou força após pandemia da covid-19

A secretária de Fazenda, Sueli Pereira, observa que a descentralização vem ocorrendo há vários anos, mas aumentou agora com a pandemia de covid-19. Segundo ela, o número de empreendimentos está crescendo, já que muitas pessoas precisaram empreender durante o auge da doença. 

Das 2.150 empresas abertas entre janeiro e julho deste ano, 1.461 são MEis (Microempreendedores individuais), 478 microempreendedores (ME), 80 empresas de pequeno porte (EPP) e 131 de porte maior. 

“Muitas pessoas perderam o emprego na pandemia e começaram pequenos negócios. As pessoas foram se virar, aproveitando também os inúmeros cursos ofertados pela Secretaria de Indústria e Comércio”, assinala Sueli. Ela afirma que é grande o número de MEIs por conta da característica do negócio, baseado na isenção tributária. Por outro lado, ela afirma que esses empreendimentos trazem retornos importantes para o município na movimentação da economia e na geração de postos de trabalho. 

A secretária assinala ainda que os novos negócios estão espalhados em praticamente todos os bairros da cidade, gerando renda para a população e também para o município.