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Empresas paralisam produção e dispensam funcionários

Renan Vallim

| Edição de 30 de maio de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A mobilização dos caminhoneiros está afetando a produção das empresas na região. Os dois principais setores industriais da região, o parque moveleiro de Arapongas, e o polo de confecções de Apucarana vêm mantendo trabalhadores em casa, até que a situação se normalize. Sindicatos patronais das duas cidades afirmam que há risco de demissões.

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O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Irineu Munhoz, afirma que a maioria das empresas do setor está parada. “O principal problema é a falta de matéria-prima para as indústrias produzirem. Com os caminhões impedidos de seguir viagem por conta dos bloqueios, os materiais não chegam até as empresas”, destaca. O polo concentra 12 mil empregos em Arapongas, quase 180 empresas. 
Segundo ele, a greve deverá impactar negativamente nos lucros das empresas. “Estimamos que pelo menos 30% do faturamento previsto neste mês já foi perdido. Este é um problema muito sério, que pode inclusive ocasionar demissões no setor, visto que as empresas não estão conseguindo vender desde que a greve se iniciou. Acredito que esta greve já perdeu seu objetivo e passou dos limites”, explica.
Em Apucarana, a situação é parecida, como aponta Elizabete Ardigo, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale), que representa 400 empresas que empregam 10 mil pessoas. “A greve dos caminhoneiros provocou o desabastecimento de combustível e, com isso, muitos funcionários estão enfrentando dificuldades para chegar ao trabalho. Além disso, há dificuldades em receber insumos e também dar destinação à produção”, comenta.
Ela destaca que diversas empresas têm paralisado a produção, mandando os funcionários para casa. “Algumas indústrias têm aproveitado para dar férias coletivas aos funcionários. Desde o início da greve, o número de linhas de produção paralisadas só aumenta. As empresas estão estocando a produção até o limite de seus espaços. Como estão sem lucratividade durante este período, os empresários já cogitam a possibilidade de redução nos quadros de funcionários”, afirma.

ALIMENTAÇÃO
Não é apenas no setor de confecções que os impactos da greve são sentidos. Na indústria da alimentação, os reflexos também são graves. “Suspendemos o funcionamento da fábrica desde segunda-feira (28) por estarmos com dificuldades para entregar a produção. Matéria-prima há, mas não estamos podendo mais estocar o que produzimos, sem termos a garantia de que iremos entregar aos clientes”, explica Clóvis Alberto de Oliveira, responsável financeiro por uma empresa de pães de Apucarana.
Com isso, quase todos os mais de 200 funcionários estão sem trabalhar e as atividades da empresa, que fornece para todo o estado do Paraná e parte de São Paulo, paradas. “Acreditamos que perderemos entre 40% e 50% do faturamento estimado para este mês. É uma pena, pois este estava sendo um dos melhores anos da história da empresa. Inclusive os planos de expansão e construção de uma nova unidade da empresa, que estavam a pleno vapor, tiveram que ser suspensos”, diz Oliveira.