Com o aumento das exigências de qualificação no mercado de trabalho, a educação à distância (EAD) surge como uma das principais alternativas para cursos técnicos, de graduação e de pós-graduação. Na região, essa modalidade de ensino vem ganhando alunos através da criação de polos de ensino, tanto de universidades públicas quanto particulares. As próprias instituições locais estão investindo neste sentido, observando o grande potencial da atividade.
A participação da EAD no setor de ensino superior saltou de 0,8% em 2004 para 20,5% em 10 anos no Brasil. Em 2014, A modalidade registrou mais de 1,3 milhão de estudantes matriculados, montante 44,3% maior do que em 2010, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No mesmo período, o crescimento da graduação presencial foi de 19%, somando 6,5 milhões em 2014.
Criado em 2009, o Polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB) de Apucarana é um exemplo de sucesso na EAD. Nos últimos cinco anos, a instituição passou de quatro para 20 cursos ofertados. Graças a parcerias firmadas no período, importantes instituições ofertam cursos no local, como as universidades federais do Paraná (UFPR) e de Santa Catarina (UFSC), várias universidades estaduais paranaenses e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro.
O Polo UAB é um projeto do Governo Federal que oferece a estrutura necessária para que pessoas possam ter acesso a aulas das melhores universidades públicas do Brasil.
“O Polo UAB democratiza o ensino superior, oferecendo a possibilidade de inclusão de pessoas que não têm a possibilidade de frequentar a universidade presencialmente e precisam de flexibilidade de horário”, explica Sueli Reis Gonçalves, coordenadora da instituição em Apucarana.
Só neste ano, a instituição abriu inscrições e vestibulares para 10 cursos, sendo metade de graduação e o restante de pós-graduação. Três deles ainda estão com inscrições abertas: licenciaturas para Computação, Educação Física e Letras, todos pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Outras três graduações, quatro pós e três cursos técnicos estão em andamento, mas tiveram o início em outros anos. “Esse número deve aumentar muito ainda neste ano. Estamos esperando mais sete cursos técnicos, pelo menos mais uma pós e também estamos em vias de fechar parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). A ideia é sempre manter em torno de 25 cursos em andamento”, explica Sueli.
A assistente administrativa Aline Hamada realizou um curso de pós-graduação em Gestão Pública na instituição e recomenda. “A flexibilidade do horário para estudar é a grande vantagem. Tendo que trabalhar, fica difícil poder fazer um curso presencial. Por isso, a EAD é a melhor alternativa”, afirma.
Professora em Apucarana e Arapongas, Jane Tacari graduou-se em Pedagogia e fez pós em Administração Pública através do Polo UAB. Hoje, ela é tutora na instituição, ou seja, aplica provas, tira dúvidas e faz a ‘ponte’ entre o aluno e o professor, que fica em um estúdio, geralmente na sede da instituição que oferta o curso. “Esse é o futuro da educação, mas ainda há algumas barreiras a enfrentar. Muita gente acredita que não se aprende direito no ensino à distância, quando não é verdade. Há uma estrutura completa para os alunos”, diz.
Rede privada adere à proposta
É possível observar o crescimento da Educação à Distância (EAD) através da criação de novos polos educacionais. Em Arapongas, o Polo UAB foi inaugurado no final de 2014. O local oferece por enquanto apenas o curso de Pedagogia, mas há o planejamento de expansão. Só em Apucarana há, além do Polo UAB, pelo menos quatro instituições privadas de outras cidades com salas de EAD.
Observando o aumento da demanda, as instituições particulares locais também querem embarcar no ensino não-presencial. Em Apucarana, uma delas deverá ter sua primeira experiência já em setembro. “Estamos com inscrições de vestibular abertas para os cursos de graduação em Pedagogia e em Administração, além do curso técnico em Logística. A expectativa é grande e nossos planos são de expansão. É um setor que está crescendo muito no Brasil. Além disso, instituições que não inovam, ficam para trás”, diz Inês Ferreira, coordenadora do EAD da Facnopar.
Segundo ela, a instituição precisou passar por diversas exigências do Ministério da Educação. “Conseguir um curso de EAD é mais difícil do que o presencial. Para ganhar pontos com o MEC, tivemos que tornar alguns cursos semi-presenciais, ou seja, ofertar cerca de 20% do curso em EAD. Agora, recebemos a autorização e temos um período de latência de dois anos para esses três cursos. Depois disso, poderemos abrir quantos cursos de EAD quisermos”, explica ela. A instituição já abriu quatro polos de EAD: Londrina, Jandaia do Sul, Cornélio Procópio e Gama (DF).