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Ensino de Jovens e Adultos registra queda de 58% nas matrículas na região

Cindy Santos

| Edição de 02 de maio de 2022 | Atualizado em 02 de maio de 2022
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queda de 58% nas matrículas na região

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O número de alunos matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) despencou na região. Dados do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana mostram que em 2021, foram 4.126 matrículas nos ensinos fundamental e médio, número que caiu pela metade neste ano com 1.696 registros nos 11 municípios que ofertam essa modalidade de ensino, uma redução de 58%.   

A queda no índice pode ser associada a diversos fatores, mas o principal é a dificuldade em conciliar a vida profissional com os estudos. E para muitas pessoas, trabalhar ao invés de estudar não é opção é necessidade, ainda mais diante do cenário econômico desanimador com a alta dos preços corroendo a renda da população. 

Professor Jorge Marques, diretor do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebeja) Professora Linda E. A. Miyadi, em Apucarana, afirma que sempre houve oscilação no número de matriculas do EJA. Contudo, a queda aumentou durante a pandemia da Covid-19. De acordo com o diretor, a maior parte dos alunos que abandonam os estudos é adulta e prioriza o trabalho. 

“São inúmeros motivos que implicam nessas idas e vindas e tentamos trazer esses alunos de volta. Para os adultos nós ligamos e tentamos mostrar como é importante esse esforço para concluir o estudo. Com os menores fazemos busca ativa”,afirma Marques. 

No Ceebja Cecília Meireles de Jandaia do Sul, o cenário é o mesmo. A diretora da unidade, Elinéia Silva de Oliveira, afirma que a maior parte dos alunos são trabalhadores e os relatos de desistência envolvem mudança de turno no emprego, cansaço, desânimo, carga horária incompatível e mães que não têm com quem deixarem seus filhos pequenos. Cenário que só piorou após a pandemia. 

“São alunos de classe baixa, sem acesso à internet, que ficaram com filhos em casa, muitas vezes mais de um”, comenta.

A diretora que está no EJA há 24 anos, observa que os alunos não conseguem enxergar um futuro melhor no caminho dos estudos. “Acredito que deveria haver valorização por parte das empresas que deveriam estimular o aluno a estudar e que esse estudo tivesse uma compensação financeira, além do estímulo na flexibilização de horário para os estudos”, comenta. 

A diretora acredita ainda que, além de incentivar, os empregadores deveriam cobrar e acompanhar os resultados dos alunos na escola. 

MUDANÇA DE SISTEMA

Se comparado com período antes da pandemia em 2019 - que teve quase 18 mil matrículas - a queda é ainda maior, contudo a matriz curricular naquela época era diferente assim como o sistema usado pelo Estado. O chefe do NRE, Vladmir Barbosa explica que houve uma mudança no sistema de informações do Estado com a adoção da ferramenta de gestão, baseada em BI (Business Intelligence ou Inteligência Empresarial), para acompanhar a evolução do estudo dos alunos, seu rendimento e frequência nas aulas. Segundo Barbosa, antes era usado o Sistema Estadual de Registro Escolar (Sere) permitia até quatro matrículas por aluno, e que, portanto, o total de matrículas de 2019 não corresponde ao total de alunos a época.