A colheita da soja no Paraná está em andamento e aponta para um volume de 16,3 milhões de toneladas, redução de 16,4% em relação à estimativa inicial de 19,5 milhões de toneladas, formulada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (SEAB). Na área do escritório regional de Apucarana, a estimativa inicial de 434,1 mil toneladas foi reduzida em 8,2% e, hoje, é de 398,4 mil toneladas.
As perdas no Norte do Paraná aconteceram por causa da incidência de períodos com temperaturas muito elevadas no mês de janeiro. Ocorreram chuvas, mas não foram suficientes para a recuperação de lavouras. O cultivo já apresentava sinais de problemas desde o plantio, que foi feito tardiamente. Houve chuvas na região na época da colheita do trigo e do milho, atrasando o plantio da soja.
“A seca afetou bastante a safra plantada mais tardiamente. Estou esperando colher em torno de 25% menos. Já na parcela da lavoura que foi plantada primeiro, praticamente não haverá perdas”, afirma o produtor apucaranense Wilson Massambani.
Na região de Apucarana, a área plantada é de 124 mil hectares, com 70% avaliada como de qualidade média e o restante, de qualidade boa. Ao todo, 25% desta área já foi colhida, o que equivale a aproximadamente 87 mil toneladas. A produtividade média tem sido de 2,8 toneladas por hectare, bem abaixo das até 3,7 toneladas esperadas na projeção inicial.
Na safra anterior, foram plantados 123 mil hectares e colhidas 432 mil toneladas, volume 8% superior ao estimado para este ano.
PARANÁ
A safra paranaense foi prejudicada principalmente para os produtores que anteciparam o plantio nas regiões Noroeste e Oeste, que tiveram perdas de 34% e 27%, respectivamente. Estas lavouras foram atingidas por um período de falta de chuvas e de calor excessivo entre os meses de novembro e dezembro, explicou o economista do Deral, Marcelo Garrido.
“Foi uma perda considerável, já que a soja é a principal cultura plantada nesse período do ano no Estado”, disse o economista. Segundo ele, considerando o preço da soja praticado pelo mercado, de R$ 70 a saca, em média, pago aos produtores, é possível calcular um prejuízo de R$ 3,7 bilhões com a perda de 3,2 milhões de toneladas de grãos.
As perdas se estenderam também para as regiões Norte, Noroeste e Norte Pioneiro
Por outro lado, a maior parte da lavoura plantada mais tarde se desenvolveu bem. O excesso de calor acelerou o ciclo das plantas e a colheita está bem adiantada em relação ao ano passado. Atualmente 42% da área plantada, de 5,4 milhões de hectares, foi colhida. Enquanto no ano passado, nessa mesma época, 9% da área havia sido colhida.
Garrido informa que o preço da soja é considerado satisfatório pelos produtores e representa um aumento de 8% em relação aos preços praticados no mesmo período do ano passado, que eram em torno de R$ 65,00 a saca.