O volume elevado de chuva e a ausência de luminosidade entre novembro e dezembro afetam algumas produções agrícolas do Vale do Ivaí, principalmente as culturas de uva, hortaliças e soja. O escritório regional do Departamento de Economia Rural (Deral), com sede em Ivaiporã, ainda contabiliza os estragos, mas caso a instabilidade permaneça até o fim do mês, a previsão é que os danos aumentem.
Em Ivaiporã, o produtor de uvas, Inácio Castro, da localidade de Campo Novo, onde a colheita é mais adiantada, calcula uma perda de 10% da safra. As videiras precisam de água, mas não suportam raízes encharcadas. “O excesso de água regou excessivamente o parreiral. A uva granou demais e partes dos grãos no cacho estouram e apodrecem logo em seguida. Já deixei de colher aproximadamente mil quilos por conta disso, um prejuízo de cerca de R$ 5 mil”, relata Castro.
De acordo com agrônomo Sergio Carlos Empinotti, no município de Rosário do Ivaí, maior produtor de uvas da região, a safra também ficou comprometida por conta do pouco sol no período de maturação. “Há tendência de haver menor grau Brix (açúcar) nesta safra, além de muitos parreirais sofrerem com doenças causadas pelo excesso de umidade”.
O excesso de chuva também castigou produção de soja, principalmente as lavouras cultivadas no início de novembro. Do total de 291 mil ha. semeados pelo menos 2% teve de ser replantado. Para o replantio os produtores tiveram um gasto extra de aproximadamente R$ 8 milhões.
As demais áreas plantadas com a oleaginosa sofrem também com a falta de sol. “Isso pode prejudicar a formação do grão das primeiras lavouras semeadas. Se bem que a grande maioria da cultura está começando a florar e, se não houver excesso de precipitações nas próximas semanas é possível recuperar a proteína do grão”, explica Empinotti.
Ainda segundo Empinotti, a chuvarada também causou prejuízos nas hortas. Em determinadas culturas, a perda até agora é superior a 40%. É o caso, por exemplo, da alface, brócolis, couve, repolho e a rúcula que são mais sensíveis a esta condição climática.
VANTAGEM
Se a chuva causa prejuízo para uns, para outros é boa notícia. Segundo o agrônomo Sergio Carlos Empinotti, outras culturas como, milho, café e feijão não sentem o excesso de chuva e se desenvolvem bem. “O café e o feijão que estão em fase de frutificação e não sentiram a chuva em excesso. Metade da área plantada de milho está em fase de desenvolvimento vegetativo e a outra metade em fase de floração. Se não tivermos outros problemas até a colheita, a previsão é de boa produção para essas culturas”, completa Empinotti.